Nakba
marilialopes
Nakba *
Talvez fosse fácil encerrar o dia,
a ouvir o caiman islands dos kings,
como é habitual, na mesa do café
que me está reservada,
com vista para a nídia da papelaria,
com acesso aos miseráveis viandantes,
como diria yourcenar.
Oratória e paciência: traçar durezas
que denunciam álcool, drogas, sal, açúcar,
rostos ambulantes saturados
que me chegam à berma dos olhos
como ataques de pânico, despistando-se
mesmo com motores revestidos a inviolável
aço inoxidável.
!Ó existência prolífera em mortes lentas e súbitas!
Os miúdos que vou ouvindo dedilham bem:
a melodia leva-me para outras ilhas
onde me divirto em cartoons
de muito desprendimento,
alegria e pés descalços.
Talvez fosse fácil encerrar o dia,
a ouvir o caiman islands dos kings,
como é habitual, na mesa do café
que me está reservada,
com vista para a nídia da papelaria,
com acesso aos miseráveis viandantes,
como diria yourcenar.
Oratória e paciência: traçar durezas
que denunciam álcool, drogas, sal, açúcar,
rostos ambulantes saturados
que me chegam à berma dos olhos
como ataques de pânico, despistando-se
mesmo com motores revestidos a inviolável
aço inoxidável.
!Ó existência prolífera em mortes lentas e súbitas!
Os miúdos que vou ouvindo dedilham bem:
a melodia leva-me para outras ilhas
onde me divirto em cartoons
de muito desprendimento,
alegria e pés descalços.
Talvez fosse fácil encerrar o dia,
se não fora o massacre
ou a abominável tragédia
de se matar o próximo
- essa loucura amarga
que a crueldade segrega
e faz estremecer de Urgência
a precária humanidade.
* Catástrofe em árabe
Marília Miranda Lopes
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