O homem está cru



O homem está cru, sem sal e sem tempero,

no deserto da pele os sobressaltos do mundo

O puxa saco do medo acarinha-lhe os bagos,

E ele goza sobre as faces rosas da moralidade,

A arte eregida há tempos memoriais deita exibida ao sol

O toque macio palmilha o quântico, o açucar salivar, a ilusão que a vida vestida é melhor

Larga os trapos e venha eu vou te ensinar o passo a passo da carne e dos ossos

Do amor mais profundo, do azul te fazendo parir um mundo mais denso

Não precisa ornamentos, no chão duro os elementos sentirão o teu corpo tremer

Nas mãos está o segredo, os toques dos dedos na origem da expansão,

Donde renascem os cortejos da vida  e os caminhos dos fluxos que sonham criarem universos outros,

Só tu e eu no rosnar macios dos bichos no cio, a tarde a espera do ócio,

As tuas portas abertas ao meu desejo, o tempo fazendo de conta que se importa com o dia que não veio, o tempo somos nós

E a alma pulsa e a tua carne lateja no meu peito,

E os nossos beijos apagam os avisos que indicam o caminho ao infinito

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