As velhas senhoras
charlesburck
Arrumam os guardas roupas e organizam o infinito, os olhos longes, o tempo que foge, ao que abrem as portas
Pressinto haver mais, mas não pergunto
Quero escrever para ela sobre as roupas no varal, sobre o terreiro e o quintal,
Há mais, e não posso,
Associo os olhares evasivos, os disfarces das maquiagens a divagarem sobre o tempo
Faz tempo que tudo é igual
O jasmim florando, os sexos secando, as almas enrugando, as roupas balançando ao vento
Faz tempo que nada muda nessa vida muda
Até o silêncio é igual,
Elas vão aos quartos e ligam as músicas,
os sonhos ficam sentados, observando os gestos contidos, medrosos de se revelarem, de se entregarem à dança,
A velha história da velha mulher, da moça nova, da mulher sentada no bar
Da viúva sem marido morto, da menina das pernas tortas, da moça que me olha, de todas as vidas a exporem
As velhas história que escrevi e não sei contar,
Há composições dos beijos que guardaram para dar,
Dos corações que amam mesmo sem ter a quem amar,
Por vezes elas me chamam sem me chamar,
Pedem poemas sem me pedir,
Então eu conto
Charles Burck
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