Fria dependência.

No breu, a ponta do cigarro torna-se vaga-lume
Sentimentos tristes, relembrando seu perfume
Sinto o aroma, homogêneo com a fumaça
Eleva-me, como uma ave abrindo asas,

Vejo-te em cada reflexo na rua
Como vicias linda rosa nua
Mas preciso parar, sinto-me regredido
Até perdido, não encontro um só caminho,

Nunca estou sozinho, ao meu lado esta a fiel "nostalgia"
Trazendo mais uma amiga, a perseverante "melancolia"
Mas não me deixam conversar com suas inimigas
A encantadora "superação", e a graciosa "alegria",

Tempo depois, fiquei imune ao fascínio
Nenhuma substancia me enche o vazio
Nem mesmo o vinho de Dionísio
Caindo no vácuo, eterno declínio,

Sinto cada segundo como uma odisséia
Esquecer-te, é como matar o Leão de Neméia
Preciso de tempo, implorarei a Chronos
Sinto-me Atlas, com braços tortos,

Vejo, cada "te amo" era mais um cabresto
Auto-estima não era inteira, nem resto
Lembranças são granizos quebrando meu teto
Chuva de martírio molha-me por completo.
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