QUARENTENA [Manoel Serrão]
manoelserrao1234
E cai-me às mãos entre os dedos
A pena veza que sublima os meus versos.
Cai-me!
E salta-me aos prantos
O destino com os lenços nos olhos.
Salta-me!
E assalta-me o peito o desapego dos desejos,
E a fé naquilo que não vejo.
Assalta-me!
Ó abraça-me! Vês? À todos peço-lhes perdão!
Eu... Logo eu pálido Deus que já fora
Estima sem pecado nas lameiras d’um caminhão.
Eu... Logo eu que condenado ao Cristo levado à "crucificação" quão Pilatos lavara, não posso ao mundo lavar às mãos.
Eu... Logo eu que condenado a Papillon, ser banido à perpetuação,
Não posso à dor do exílio dar termo a solidão.
Ó amém! Rezarei a quem?
Quisera Deus, que entre minha'alma e mim pudesse encontrar todo o perdão no coração.
Quisera Deus, qualquer Deus, que pudesse ao encontrar-me no amor;
devolver-me a noite; desfraldar-me os sonhos; e, devotar-me à luz do sol toda gratidão.
Ó D'us! À todos peço-lhes perdão!
Eu... Logo eu pálido Deus indigente que fora paz e guerra, alvo na mira dos aviões!
Eu... Logo eu pálido Deus sucumbente que fora napalm, obus na boca dos arcabuzes!
Eu... Logo eu pálido Deus que fora à quarentena de febre e delírio... delírio... delírio... Ó D'us! Rezarei a quem?
Eu... Logo eu pálido Deus que fora à quarentena de febre e delírio... delírio... delírio... Ó D'us! Rezarei a quem?
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