Para Nala
Sentes como está tudo diferente, esquisito, inusitado?
Atrás das cortinas, não mais sentimento dissimulado
Sei que assim será por um tempo
Pra recuperar toda aquela confiança, estou atrasado,
Dor no peito lembrar de toda lágrima derramada
Deixa minha alma e sanidade bem desgraçada
Enxergo que possa parecer conversa fiada
Como disse, confiança atenuada, por verdade a ti mostrada,
Verdade minha, que te revelou, não fui suficiente
Que nas ruas da cidade de mentiras, fui indigente
Do ponto de ser um bom par, meu caminho foi divergente
Consciência me xingando, eu mudo, "quem cala consente",
(Levando-nos a um desmoronamento iminente)
Nesse tempo, senti, "dizer a verdade" nunca me ajudaria
Isso, aos poucos extorquiu do nosso mar a calmaria
"O reflexo vira matéria", incrível (puta) teoria
Toda nossa histeria na alegria, fez-se uma total disforia,
Segunda chance dada, juro, não será desperdiçada
"Juro", olha só, que palavra engraçada
Saindo da minha boca, pra você continua válida?
Toda "verdade" agora dita é pálida, nada cálida,
Com fogo destruí a Mona Lisa
Manchei as palavras da profetisa
Fiz Atena ficar indecisa
Espero ter uma linguagem concisa,
Afundei os barcos de Cristóvão e Gama
Todo ouro conquistado virou lama
Comédia romântica, transformei em drama
De biblioteca, virou fliperama,
Céus, pra que tanta referência?
Não sei se entendes o que digo
De todo erro cometido
O pior, foi feito contigo,
Erro que nunca será apagado
Não quero parecer um coitado
De tudo que passamos, deixei cinismo
Cartola, tarde demais, beira de abismo,
Sou sincero, espero que dê certo
Cada um atravessando seu decerto
Se no final, continuar ou afastar
Tudo no fim, irá nos lapidar,
Fiz de mim, de nós, Alcatraz
Privando-me da própria paz
A felicidade diante minha, em cartaz
Mas de perceber isso, fui incapaz.
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