Escritas

Os nove buracos do corpo

Darlan de Matos Cunha



Atenta ao que se há de se mesclar com o fracasso,
e não com o acaso, que este é diferente, embora
possa ceder a um e outro espectro ou
anamorfose, verdade, a lei foi feita para o desacato

continuado, sendo a sina maior que move o humano
demasiado humano, a lei tornou-se genética e psicologismo,
mas eis o vinhedo visto do terraço de onde alguém jogou                                                                                               desafios que alguém na sacada desenhou

há filhos e filhas dispersando-se como dunas, valores na bolsa
desconcentrando-se, sinta como é que tanto nos servem os                                                                                           nove buracos do corpo, solícitos diante de tantos agravos, 
eis a latência dos ofícios. Atenta, pois, aos nós

das bravatas rumo ao rés do chão, já sem escolha
entre o sim e o não, nada existindo entre a nascente e a foz.
Gesta, gasta-se em ti a inenarrável alegria das somas
bem como um livre exercício de inquietação.*

 

***


*: Friedrich Wilhelm Nietzsche. Humano demasiado humano
*: Osias Ribeiro Neves. Livre Exercício de Inquietação

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