Escritas

Latrina Dos Homens

Charles Bukowski Ano: 20537
olha só esse aqui:
primeiro antes de cagar ele limpa com
tranquila graça a
tampa do assento, realmente lustra o maldito
troço
aí ele espalha papel higiênico pelo assento,
bem bonitinho, chegando até mesmo a
suspender um bocado de papel onde sua poderosa genitália
balançará, e aí ele baixa com
dignidade e virilidade
suas cuecas e calças
e
senta e
caga
quase sem paixão
brigando com um velho jornal sujo
entre seus pés e lendo sobre o jogo de basquete
de ontem –
isso que você vê aqui é um Homem: conhecedor do mundo, e nada de chatos pro
bebezinho, e uma cagada
tranquila bem
tranquilona, e ele limpa a bunda
enquanto conversa com o sujeito que lava as mãos
na pia mais próxima,
e se você estiver parado por perto
aqueles pequenos olhos de camundongo incidirão sobre os seus sem o menor
tremor, e aí –
as cuecas sobem, as calças sobem, o cinto se afivela, ressoa a
descarga,
lavam-se as mãos
e aí ele se posta diante do espelho
inspecionando a glória de si mesmo
penteando o cabelo cuidadosamente em perfeitas e
delicadas arremetidas, finalizando,
então botando aquela
cara
perto do espelho
e se olhando por dentro e por fora, então
satisfeito
ele sai
primeiro se certificando de te dar um pé na bunda
ou o ponderoso insulto apavorante de seus olhos
vazios, e aí com
o rodopio de suas emudecidas nádegas egoístas
ele sai do banheiro dos homens,
e sou deixado ali com toalhas de rosto como flores
espelhos como o mar
e sou deixado com a mais doentia das esperanças
de que um dia o ser humano verdadeiro vai chegar
para que haja algo pra salvar
cagar então
nem se
fala.
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namastibet
namastibet
2018-03-15

Toda a poesia acaba em silêncio, Porque nasci ou como morro ignoro, Não consigo definir começo ou fim, Ind’a assim deixo descrito o lento voo De uma ave de pena e louça que Dentro trago, ainda que seja desculpa Pra não levantar voo como quereria, Assim também a mim ele me mente Tal como um objecto abandonado Sem vontade dentro, assim me sinto, Preso aos sapatos e ao ponderável Peso terreno, onde moro desde que Me conheço, capaz de escutar o silêncio De um baloiço, ver magia onde tem apenas feitiço De galinha morta, ouriço no meio da rua Me lembra afago, suave tudo quanto oiço E o silêncio num búzio lembra-me mar, Não sei que ideia esta de mansidão, Pedaço de espelho quebrado que mente Cortado p’la metade, terça-parte é céu, Tod’a poesia acaba em silêncio, o meu Começa onde esta se cala, pois me continuo No que não tenho, luar ou uma estrela Tão vaga quanto o meu passar passou, Suave quanto o que me ouço, nada Que seja meu, imito apenas do silêncio o som, Pois o céu é na Terra e o quem sou Não interessa, pena, louça e culpa … Joel Matos (03/2018) http://joel-matos.blogspot.com