Escritas

ANTROPOCENO [PONTO DE MUTAÇÃO] [Manoel Serrão]

manoelserrao1234



Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que subtrai das piracemas a vida contra a corrente.
Que poluís rios, veios d’águas, bicas, oceanos e mares.
Que atiras à rés floresta, matas ciliares e árvores.
Que ceifas aves, insectos e todos os seres criados.

Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que baforas dos canos monóxido de carbono.
Que sufoca de fumaça tóxica e metano o Ox dos ares.
Que lanças ao colo Mater: o lixo do luxo do vosso conforto.
Que selas de betume o barro e asfalto a verdejante relva.

Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Que arranha-céus de concreto e aço enfeando o espaço.
Que alteras os célsius e roazes geleiras avultando os mares.
Que degradas a bioface e a Geo matéria física da Terra.
Que condenas o futuro da era natural gravada na pedra!

Ó tu que dizimas em torturas a Terra que se consome.
Não vês qu'tua sorte contra o tempo e a morte, será apenas lembrança tatuada na pedra lascada?
Ó Ser contra o Sol que se apaga, haverá de vir outro sol se acender?
Ó Ser contra a Lua de Jorge, haverá de vir outra lua por sorte?
Ó Ser contra as forças do Universo, tornarás mutáveis o que são imutáveis?

Ó não vês? Estúpida humana que hecatombes e reboados trovões estão por chegar?
Ó não vês? Estúpida humana, que almas pias serão escravas d'um sistema que se anuncia?
Ó não vês? Estúpida humana, que deveis do mundo cuidar, evoluir e transformar.
A dimensão coletiva do sujeito?

Sabeis! Se dela não vos tendes piedade, dela não tereis no destino, à vossa piedade no futuro!
Há um formigueiro de bocas com Oito bilhões de outros, enramando-se sobre a Terra coberta de pedra!
Sabeis! Se não sabeis! Sabeis que a vossa eternidade não irá de além da curva dos dias,
Como a soma da humanidade em partes sequer resultará num só homem [inteiro].

Ó cioso [a] Deus [A] Universo que tudo sabe, ordena, prevê, defende e repara:
É da Gaia aos humanos o desejo que desses erros, os pudessem perdoar,
E os fizessem da culpa saber que estão perdoados por cuidar.

Ó eia o Xis da questão, onde habita o Ponto de Mutação!
O presente indigente mais que imperfeito está doente...
Ó Gau! E eles não sabem que jazem?

 

 







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