Outro outono

Estes olhos que fitaram os meus

há instantes,

quisera fossem os seus,

órbitas distantes,

mas foram-se ligeiros,

como outra estação



Estas mãos que se estenderam

às minhas,

naquela hora,

Quisera fossem as suas,

muito embora,

não possuam calor,

nem suor,

nem paixão



Estes lábios que falam aos meus

no presente,

quisera fossem os seus,

muito quentes,

mas sussurram palavras oblíquas,

num esforço oco

e vão



Estes corpos suados, entrelaçados,

nesta cama,

Quisera fossem os nossos,

óleo e chama,

incendiando desejos,

entorpecidos

de tesão



Este perfume que senti

há um segundo

Quisera deixasse seu rastro

neste mundo,

mas perdeu-se no ar, com o fim

de outro verão



Esta nova estação que chega

justo agora,

Quisera fosse mais que outro outono,

e levasse a saudade

embora...

e deixasse cair folhas secas

ao vento,

no chão...

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Comentários (2)

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Larissa Rocha
2013-08-09

Como é bom encontrar um poema lindo assim para ler, é algo que faz bem ao coração. Muito obrigada, amei.

joao_euzebio
2012-10-19

Lindo como um parreiral em flor como um lago de águas mansas como saudade que fica e se junta as lembranças.Parabéns muito bonito seu poema.