Escritas

Circense

Darlan de Matos Cunha


Um animal detrás de uma teia de metal

olha o mundo com a apatia dos zumbis,
que é muito transtorno para um bicho
estar impedido de tudo, então, chorar
é o melhor tédio, e o animal se amua
e recua, avança a pata que alcança

o nariz e se coça diante da moça - mossas
ambos as têm - que é assim a vida de bichos
na esquina na praça no mall no adro
no circo no qual nos damos na linha de frente,
ouvindo com nitidez o riso solerte
da sombra, os braços do amor caindo
do trapézio. Aonde quer que se vá, um animal nos mede.
355 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment