Escritas

Trevos

Darlan de Matos Cunha


De uma forma ou de outra
vamos à cata de grãos que vinguem
e de água que nos lave os erros.

Anda-se nos calcanhares
com a linha do equador nos cotovelos
e o amor mastigando dúvidas

e se no verso infinito da solidão
um homem corre com outro, demente,
o dia fecha em baixa

porque outro homem foi morto
a toque de caixa, por juros pendentes.
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Comentários (1)

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sergioricardo
sergioricardo
2017-12-04

Ótimo em todos os versos que publica, eis você, um poeta qualificado: agradecidos e, falo em nome dos que importam, como se eu também importasse, pelo seu perfeito domínio das tarefas que se impõe. Na minha arrogante opinião, uma verdadeira poesia (porque nem tudo é poesia, a despeito do que doa aos que se dizem poetas) não transparece o esforço de marcenaria necessário para que ficasse parecendo ser nenhum esforço... Marcenaria é diferente de carpintaria e a aplicação desse conceito nada sutil à comparação de poemas e poemas se faz notar na miserável aspereza quadrada e pregada à pancadas daquilo que não é verdadeiramente uma poesia.