Escritas

Meu caderno esverdeado

Ismael Soares
Meu caderno de fracassos avoluma-se a cada dia
Nas suas fúnebres folhas, montes e montes de agonia
Estranho seria se diferente fosse
Se no lugar da imarcescível amargura, discorresse sobre momentos doces

O céu olha-me, pedante e cheio
"Este é só mais um ébrio que jaz na ruína!
Deixemo-lo aí, solipso e sem esteio
Que talvez encontre a morte ou dobre mais uma esquina"

Mas não sinto-me só, muito menos abandonado
Tenho minhas dores e elas têm me guardado
E também a meu caderno, cujas linhas têm suportado
A força do meu pulso, meus pensamentos avulsos e a tinta dos meus fracassos.

E meu caderno esverdeado custou apenas dois reais e ciquenta centavos.
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Comentários (1)

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SergioRicardo
SergioRicardo
2017-09-29

Muito notável este poema!