Lista de Poemas
Meu caderno esverdeado
Meu caderno de fracassos avoluma-se a cada dia
Nas suas fúnebres folhas, montes e montes de agonia
Estranho seria se diferente fosse
Se no lugar da imarcescível amargura, discorresse sobre momentos doces
O céu olha-me, pedante e cheio
"Este é só mais um ébrio que jaz na ruína!
Deixemo-lo aí, solipso e sem esteio
Que talvez encontre a morte ou dobre mais uma esquina"
Mas não sinto-me só, muito menos abandonado
Tenho minhas dores e elas têm me guardado
E também a meu caderno, cujas linhas têm suportado
A força do meu pulso, meus pensamentos avulsos e a tinta dos meus fracassos.
E meu caderno esverdeado custou apenas dois reais e ciquenta centavos.
Nas suas fúnebres folhas, montes e montes de agonia
Estranho seria se diferente fosse
Se no lugar da imarcescível amargura, discorresse sobre momentos doces
O céu olha-me, pedante e cheio
"Este é só mais um ébrio que jaz na ruína!
Deixemo-lo aí, solipso e sem esteio
Que talvez encontre a morte ou dobre mais uma esquina"
Mas não sinto-me só, muito menos abandonado
Tenho minhas dores e elas têm me guardado
E também a meu caderno, cujas linhas têm suportado
A força do meu pulso, meus pensamentos avulsos e a tinta dos meus fracassos.
E meu caderno esverdeado custou apenas dois reais e ciquenta centavos.
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Sorvidos
Ouço as batidas, pulsantes, mas contidas
E isto traz-me especulações:
O que causa tais inquietações?
O ensejo, que alhures faltara, hoje dispara, numa sucessão infinda de vontades paridas
Digo-lhes que a métrica não encontra em mim suporte
Dantes fosse, pois assim tivesse mais sorte
Mas quando a nascente encontra enfim a saída
Não há ínvio caminho que aplaque o curso de sua ida
E das vontades paridas, poucas maturam afinal
Pois a vida, ja há muito embrutecida, sabe sorver-las sutilmente
Até que de repente, num gesto de aceitação silente, com o controle na mão, apenas mudamos o canal
E isto traz-me especulações:
O que causa tais inquietações?
O ensejo, que alhures faltara, hoje dispara, numa sucessão infinda de vontades paridas
Digo-lhes que a métrica não encontra em mim suporte
Dantes fosse, pois assim tivesse mais sorte
Mas quando a nascente encontra enfim a saída
Não há ínvio caminho que aplaque o curso de sua ida
E das vontades paridas, poucas maturam afinal
Pois a vida, ja há muito embrutecida, sabe sorver-las sutilmente
Até que de repente, num gesto de aceitação silente, com o controle na mão, apenas mudamos o canal
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