ZEUS [Manoel Serrão]


D'encanto, dai-nos, deuses o verbo criador, sábios artífices da língua!
Ó suplico-lhes! Dai-nos belos versos em almas poéticas.
Ó peço-vos! Dai-nos como d’antes odes, líricas cantatas.
Ó vos imploro! Dai-nos belas récitas em almas cheias de graças.

D'encanto, dai-nos, ó imortais crias de Zeus: o saber dizer livre que vos fala a poesia.
D’onde ‘stão, tecei vos para o mundo outros sonhares.
Ó teceis vos para não serdes apenas o desejo d'outros no almaço  rabiscados.
Porém, sonhos do sono acordados, e todos chegados ao destino do céu.

D'encanto, dai-nos, pois quão pr'a sempre, e além: Píndaro e Safo; Homero e Hesíodo; Camões e Pessoa; Sousândrade, Nauro, Lago e Gullar; todos tornados eternos! 
Ó versos compostos à sestra e pena, q u’iria-te oste do meu coração.
Ó poesia n’A poesia bela e sã, q u’iria-te hóstia comungada em bocas canções.
Ó poética silente oração, qu’iria-te onde o verso nasce poema feito pulsão.
Ó se o Criar É ser Deus... O Poeta onde começa o poema nunca acaba.

Ó se honrais! Abra-os para os leres?

 

 

 

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