As Quatro Estações

Vinicius Souza
Vinicius Souza
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Havia chegado a primavera,

e todos os ventos apontavam

para um horizonte belo e auspicioso.

As promessas eram vivas e verdadeiras.

Os olhos continham um fulgor

melódico e opulente,

como de uma pobre criança faminta.

Na primavera

o tempo engatinhava

e minha janela pairava sempre aberta.

O mel e a seiva acusavam sempre para o norte

onde os sonhos ganhavam asas.

A dança celestial entre os lírios,

impelia-me sempre avante.

Então veio o verão,

e o caminho tornou-se ínvio.

As pegadas deliam-se atrás de mim

num remoto deserto.

O ar tornou-se tórrido e sufocante.

O zênite, antes profícuo

parecia saltar as abóbodas do universo

a cada passada em seu ritmo.

Nem água, nem brisa.

Só fogo e labor.

Asas cansadas

temendo um último adejar.

Mas, não findava ali minha missão.

Chegara o outono,

entre as florestas secas e sombrias,

por lobos, minha alma foi afugentada.

Eram inumeráveis

como pontos no espaço.

As folhas, agora adotavam

um negrume funesto e lúgubre.

O mundo tornara-se inerte e incolor.

As paixões de outrora,

jaziam soturnas,

Junto à folhagem, já sem vida e cadavérica.

A escuridão à frente

entorpecia a menor esperança.

O céu agora acinzentado,

ignorava qualquer contato espectral.

Estava só entre feras sedentas...

Eis que chegou o inverno.

E com as últimas forças

galguei para o sul.

Lá, instalei-me entre loucos

e essa, foi a minha melhor estadia.

No frio estridente,

fui aquecido

pelos ternos abraços da loucura.

No mar insípido e sem vida

observei um pequeno peixe saltar.

Finalmente, encontrara vida.

Ironicamente, no lugar onde menos procurei.

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