Amor enigma

Olho teus olhos,
Dois abismos que convidam,
E me atiro ao medo.
Olho teus lábios,
Conchas marítimas de mistério e mel,
E os imprimo aos meus.
Olho teus seios,
Rubras romãs, sementes de manhãs,
E os degusto como o dia, o sol. 
Olho teu corpo,
Ânfora oleada de cheiros e desejos,
E me sacio da fome plena.
Olho tua alma nua como a lua,
E o que vejo é claro enigma.
Que se me vê, renega.
E se me cega, enxerga.
Que se me tem, se farta.
E se me farto, entrega.
Olho-te com doçura calma 
De quem anoitece enfim:
Ora me adormecendo em ti.
Ora te amanhecendo em mim.
Como uma pétala, uma flor,
Que no meu peito, brota
E nos teus lábios, flora.
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