Escritas

CLAMOR ÁUREO E VERDE

Samuel da Mata
Gemidos de fome e do descaso o pranto
Retumbam nas noites de um País sem igual
Que cobre os horrores com áureo e verde manto
E ignora a miséria, num silêncio venal.

Maldito o destino de seus pobres filhos.

Oh País da vergonha e de injustiça atroz
Pois de infante sangue alimenta seus rios
E dos que clamam por pão, ignora a voz!

Estampido na noite, já não incomoda ninguém

Chacina é manchete em todo o jornal
Dá Ibope a desgraça dos que nada têm
Violência e miséria já é o viver natural.

Adormecido gigante ao clamor do seu povo

Cujo berço é esplêndido, mas cheira a podridão
Busca hoje em teu íntimo dignidade e renovo
Para fazer de teus filhos ao menos cidadãos.
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