Escritas

O SAL & A CAL [PRÊMIO POESIA AGORA - EDITORA TREVO - SÃO PAULO] [MANOEL SERRÃO]

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A safra do sal em grãos farta a lavra encharca o chão.
Safa-se em sacas o grão-patrão, faz do silo farto um cio em Gaia,
E do latifúndio quão o Olimpo um Céu à mão.

A "safra” da cal a cruz, o poial, o caos de Hades, a escuridão.
Purga o servo O Ser-Adão, a servil Eva sem-terra na precisão,
E da fé a dê lírica ilusão d'Asa Branca partir como um "avião".

O Ser a morte antes que o destino por sorte condene-o à morte?
Chora o lamento, agoniza dorido o martírio... Ó maldita agoniação!
E roga o pio, paga a novena em vão, troca o sonho pela unção.
Mas a gleba cava que não lhe augura o pão? Acaba sem-grão!

Ao passo que o fero infenso cego Cabra da peste,
Em dilatada ira, sem “opor-se ao pão”, cede à boca do cano,
Gira mira, nega o feito o vil no peito e odioso aponta...
Mas a conta que arroga o Amo pela "cava" do chão?
O dedo acaba no Cão!




CRÍTICA LITERÁRA POR: Francisca Ester de Sá Marques, ou como é mais conhecida Ester Marques é atualmente professora adjunta do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão. Possui mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade de Brasília. É autora de vários artigos e do livro Mídia e Experiência Estética na Cultura Popular. Faz parte da Comissão Maranhense de Folclore. Ex-Secretária da Culturaa do Estado do Maranhão. Hoje Assessora Especial do Governo do Maranhão.

A cal e o sal


O primeiro sentimento que a poesia a cal e o sal nos
Desperta é o espanto seco e duro que observamos, por.
Exemplo, na obra Vidas Secas de Graciliano Ramos.
Quando expressa um sentimento semelhante sobre a seca
No nordeste. É uma poesia chocante que nos leva a pensar
A dualidade yin/yang da vida. Para que lado, nós queremos.
Ir?
Depois desse choque inicial, a segunda leitura.
Murmura mais leve aos nossos sentidos angustiados e, no.
Mastigar de cada palavra, descobrimos a beleza latente e.
Abrupta que surge em cada verso. É uma poesia crua,
Densa e crítica, mas ao mesmo tempo, intencional e.
Voluptuosa que nos impulsiona a refletir sobre a realidade,
Sobre as desigualdades, sobre a fertilidade que brota Da.
Terra... que brota do homem.
Nesta poesia, o que distingue a criação da criatura? A
Criação é fruto de uma anamnese sofrida, prenhe de amor,
Pronta a revelar-se/desvelar-se que se defronta com um
Criador que se esconde porque a sua identidade o
Incomoda tal como a realidade carente que o rodeia.

Criação e criatura fundem-se, no entanto, na poesia que.
Encanta e seduz, no equilíbrio rítmico das palavras que.
Despertam o nosso imaginário, na simbologia que fere e.
Incomoda.



Comentário de Lustato Tenterrara em 22 maio 2010 às 17:25 Lindo poema, Poeta. Saiba que muito nos honra tua presença em nossas redes sociais.Parabéns pela brilhante inspiração, tão forte, tão febril, tão crua e nua que teu poema Sal e Calcerca-nos, leitores, com a visão sinistra de uma miséria mil vezes dita e que continua muda em face da falta de consciência dos Governos-Estados, dos países dito "ricos". E são ricos não à custa da fome que assola nosso planeta, pois recente estudo oriundo do Gabinete da Presidência da República (Brasil) revelou que com a metade dos recursos "doados" aos grandes bancos por ocasião da crise financeira de 2009, seria suficiente para acabar com a fome no planeta. Uma vergonha que a fome dos desvalidos irá cobrar no Dia do Juízo, de todos aqueles que, dolosamente, omitiram-se ou deixaram de agir.Um abraço. PS.: A gravura de Portinari, além de lindíssima, inteira toda a trama, dá vida, mais ainda, ao holocausto do século 21. Portinari, com sua tela crua; Manoel Serrão, com suas palavras ferinas. Comentário de Lustato Tenterrara ao poema Sal e Cal, de Manoel Serrão.



Bom dia,

O Prêmio Poesia Agora - Primavera 2019 recebeu, no período de 16 de julho de 2019 a 16 de outubro de 2019, mais de 3.000 inscrições de todo o Brasil. A Editora Trevo informa que recebeu da comissão julgadora, no dia 24 de novembro, a lista protocolada dos candidatos classificados no processo seletivo. 

Parabéns. A sua poesia foi classificada e fará parte do livro, “Prêmio Poesia Agora – Primavera 2019"! 

Para confirmar sua publicação, responda este e-mail confirmando o nome que deseja assinar no poema (seu nome artístico) e o endereço, com CEP, para a entrega dos exemplares. 

Em breve, uma lista dos classificados será divulgada em:

http://editoratrevo.com.br/ premios/ poesiaagoraprimavera2019/

Lembrando que a Antologia Poesia Agora é uma coleção que produz com muito carinho e como outras edições, bem como nossos outros livros, pode ser conferida nos sites:  http://editoratrevo.com.br  e  http://www.benfazeja.com.br. 

Muito obrigado mesmo pela participação!

Seu Editor,
Luís Nogueira

 

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Nosso endereço:
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Rua Delmar Soares, 65
São Paulo , SP 02625-160
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Nota: a imagem tela "Retirantes" de CÂNDIDO PORTINARI.




 




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