Gaivotas

Bailarinas que sobre
as águas planam
em si verso e reverso
da fixidez das pedras
que atiramos ao mar

Estáticas, mudas
a perfurarem os ventos
rasgando curvas oceânicas
existentes no espaço
de um voo e um imprevisto pouso

Em compasso lento as suas asas
traçam na vastidão dos (m)ares
poemas de imprecisas vidas
ponto qualquer no universo da dúvida:
- será o que está no ar?
- ou o que no mar adentra?

O desafio que em voo escrevem
em si prolonga distâncias
como lenços brancos em conveses
e como lentas ondas que das espumas surgem
entregam-se cansadas ao conforto
de um cais abandonado... e morrem.
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