E-mail a Manuel Bandeira
Luzia Magalhães Cardoso
Prezado Poeta,
Foram-se decadas...
Hoje, àquele bicho que encontraste
na imundice dos pátios urbanos,
juntaram-se muitos, e muitos mais.
Todos da mesma espécie!
Disputam com ratos,
magras carnes de gatos.
Enroscados qual cachorros,
vivendo de restos.
Numa selva de detritos,
impregnados de lixo,
mosquitos, larvas e baratas...
Tantos bichos esquisitos.
No passado, viste um,
hoje, vemos multidão.
"Por Deus, não são bichos, são humanos!"
Homens, repastos de outros homens,
num triste banquete,
onde os outros, como dantes,
agem como urubus!
Luzia M. Cardoso
Foram-se decadas...
Hoje, àquele bicho que encontraste
na imundice dos pátios urbanos,
juntaram-se muitos, e muitos mais.
Todos da mesma espécie!
Disputam com ratos,
magras carnes de gatos.
Enroscados qual cachorros,
vivendo de restos.
Numa selva de detritos,
impregnados de lixo,
mosquitos, larvas e baratas...
Tantos bichos esquisitos.
No passado, viste um,
hoje, vemos multidão.
"Por Deus, não são bichos, são humanos!"
Homens, repastos de outros homens,
num triste banquete,
onde os outros, como dantes,
agem como urubus!
Luzia M. Cardoso
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