A Ceifa
O corpo sucumbe-se diariamente, e nele se demarcam todas as derrotas,
todas as apostas perdidas, todas as traições á consciência.
Porem, por mais que as forças físicas apertem, a força intrínseca, intangível,
ergue-se diante de uma atmosfera obscura.
Esse recurso de resistência singular consegue ainda que volvendo-se em manifestações incorporadas no ser,
remeter-se a valores mais altos.
Qualidade que jamais qualquer circunstancia poderá modificar.
Recorrendo assim, ao fundo de si mesmo,
que se sobrepõe á magreza que o corpo (matéria) reflecte,
o ser depara-se com uma força inabalável, á qual nem a fome consegue ceifar.
É nessa natureza sublime, que reside toda a essência,
num rasgo de excentricidade única, que nos emerge do mais fundo dos poços.
Na aurora, o horizonte depara-se luminoso,
inteirado de uma fé que abraça o dia escuro que antecedeu,
nessa esperança, ergue-se o ser que avança sob o caminho feito de recuos e avanços,
numa procura constante; que lhe reserva o intimo.
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