Lista de Poemas
De uma nau naufragada
ó valente nau deste oceano perdido
Naufragada num banco-de-areia esculpido,
Teu casco de pinho flutuante arrombado
Te deixou aí abandonada ao passado
E já nem ondas te devolvem ao mar.
ó nau das altas velas correndo no vento
Com a tua proa erguida ao horizonte
Para tão somente um dia naufragar.
Tu, da descoberta do mundo de lés-a-lés,
Ficas aí agora jazendo as tuas cicatrizes
Do ego dos homens e das meretrizes
Que foram amadas no teu largo convés.
ó nau naufragada no silêncio dos tempos
Que jamais voltarás ao mar do horizonte
Restando-te na memória do teu Capitão somente.
Filipe F. 2016
Pêndulo I
TicTac, este pêndulo, TicTac,
A gerigonça bate,
TicTac, e no entanto inerte, Tic
Bate, Tac,
E as rodas dentadas do progresso
TicTac, nada,
Desgastadas, TicTac
Dentes moídos, TicTac
Nada, a gerigonça bate
Mas não tem hora, Tic
Mais devagar, Tac
O pêndulo pára, Tic
A gerigonça, Tac,
Explode em peças soltas de nada.
Filipe F. 2016
Poema de Crónica a Luiz Vaz
Mote para Homem Morto
"No dia em que nascemos a primeira novidade é que estamos vivos, a segunda é que um dia morreremos. O que não contamos, é que ao longo da nossa vida iremos morrer muitas vezes, mesmo antes de falecer definitivamente e de termos os átomos que nos compõem dispersados por outras quaisquer formas, sejam de vida ou não, aliás, será pertinente questionar se a vida não é mais que a composição de cada átomo que forma a imensidão expansível do Universo, mas tudo será relativo ao ponto de vista de cada um e de como encara, a Vida."
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ISBN
1523434864
o amor de perto e de longe
O amor é vago e incessante
A luz que raia e penetra
Os olhares de suas vítimas
Em breve brota lágrimas
Escorridas de sentimentos
Equidistantes
Vagos e incessantes
Da alma tormentos
E no entanto além
Lá vai outro alguém
Que diz que ama
E mais além ainda
Vai outro dizendo
Que assim é feliz
Em amar
Vago e incessante
O amor distante.
Filipe F. 2016
O Poeta Ferido
E entretanto o poeta foi silenciado
Seus dedos uns nos outros suturados
Sangrando das falanges inanimado
Os desejos reescritos em segredos.
A musa oculta despindo atrás do biombo
O que apenas do poeta se esconde
Ele grita: "Herege da paixão em assombro!"
Enquanto ela desnuda dita: "Onde?"
E detrás do biombo ela dança e sorri
A contínua valsa dos amantes jocosa
Onde a musa dá apenas imagem de si.
Entremeado o poeta compõe a fleuma
Cada semi-breve da sinfonia silenciosa
Sangrando dos dedos! Sangrando da alma!
Filipe F. 2016
lábios de uma mulher de sonho
Esta noite sonhei aconchegado contigo
Que nos beijavamos adormecidos
Resguardados nestes lençóis compridos
Em que nunca te havias deitado comigo
Logo na volúpia dos teus lábios carnudos
Esta noite não sei quem eras mas estavas aqui
Entre estes cobertores de sonhos profundos
Aguava somente nesses lábios roxos de ti
Ao abrir doxolhos em busca do restante de teu rosto
Perdi-te os lábios e a formosura suave da almofada
Acordei! Deixei de te sonhar e escapou-se-me tosco
Como se de uma pintura impressionista imaginada
Aquele estado morno de quem beija o mosto
De uma mulher rubra que ainda não foi amada!
Filipe F. 2016
Em Sentido Poetas!
Alerta aos poetas mais jovens,
As musas raptam poemas
Não os devolvem tal e qual cada leitor
O que dareis de vós abstracto terá sempre interpretação
Pois cada poema é como um quadro
Ou um retrato e até mesmo no abstracto
Uma simples mancha de texto
Que pode fotografar filmar ou pintar
Mas preparai-a para ser lida em voz alta
Pois só aí ela vive e só aí ela permanecerá vossa.
Filipe F. 2016
Poema para A.F.C.
Teus olhos belos infinitos de candura
Sorrindo abertos na perfeita inocência
Que te não merecia tamanha travessura
Muito menos qualquer delinquência.
Teus olhos nos meus sempre enquadrados
Nesse sorriso que te vê crescer numa lágrima
E te abraça cheia do amor que te firma
Em destinos unos à força da inveja quebrados.
Teus olhos que são parcialmente verdes
Como dos meus parcial esperança viva
Que além do que te dê de comer herdes
Pois o mais que te poderei dar é o que sei
E tal que o ensinado olhos nos teus olhos sirva
Para ganhares no dia em que não estarei.
Filipe F. 2016
Do Rio Constante
Brotando daquela nascente outrora árida
Deserta e ignorante da plena vida,
Foi fiando por seu leito molhado
Ao desenlace naquele peito de afago
Despojando as virgens margens verdejantes
Daquelas nítidas tágides dos amantes,
Húmidas, frescas, enlaçadas em seu trago
Qual sereias cantando o encanto
Daquela fonte nascente delirante
Escorrendo o desamor num só pranto.
Ó rio incessante estuprando um peito!
Rasgando o caminho do seu contínuo leito
Pelas rochas eternas do amor a preceito.
Filipe F. 2016
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