Desfile da morte
À noite, o descanso do dia, cobre lentamente o planeta;
Passos de solidão a cada metro, formado pelo fel que cai do céu;
Diamantes de pedaços de vidros cobrem as ruas;
Venha peçonha gasosa, adentre meus pulmões, leve esta vida também;
De a este corpo a tão almejada tranqüilidade, e como preço...
Separe esta alma do corpo que são inimigos juntados pelo castigo.
Que seja o sonho tão desejado, leva-me aonde tenho esperado;
Facho os olhos, mas ainda vejo você indo com mensageiros;
Homens a lado, que inveja, possuem beleza e não podem mostrar;
Que brilhe o olhar de quem amo, como o Sol que clamo;
Quer-se me encontrar, venha buscar onde estou;
Não há luz, nem sonhos, mas há gritos, dores e pesadelos que não acabam.
Acordo sufocado com minha própria ansiedade, a madrugada continua...
Este desfile fúnebre rasteja lentamente pelas ruas da cidade;
Doze horas, onde o inferno se levanta a reinar e fugir;
Seus piores pesadelos criam vida e morrem, levando-te com eles...
Ligo o abajur ao meu lado, não levanto, apenas olho;
Um quadro que se ilumina, porque de você só isto restou.
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