Diário de um esquizofrênico - parte 1
Francys Charlie
Disse-lhe eu naquela manhã:
- Vinde comigo ao bosque cortar lenha, estúpido.
Ele assentiu e partimos no mesmo instante.
Não sabia ele que aquela era uma viagem sem volta para um de nós. Era meu empregado havia muitos anos e, enfadado com todas as diversões de outrora, buscava eu um novo meio de entreter-me com o meu "cavalo". Censuram-me por chamá-lo de meu cavalo? Pois bem, chamava-o assim e ele me atendia. Culpem-no.
Como divertia-me com ele? Certa vez deixei, propositadamente, um velho vaso na beira da estante, antes que ele entrasse para limpar a sala de visitas, como fazia com frequência. Encontrava-me, atento, com uma das orelhas colada à parede quando o silêncio foi interrompido pelo som da porcelana partindo e dos cacos que quicavam no chão.
- O que foi isso? - perguntei do outro lado da parede.
Isaque emudeceu.
- Quebraste algo? Meu vaso caríssimo?
Adentrei a sala com passos rápidos e constatei o ocorrido com alegria. Isaque pálido como um fantasma. Dei-lhe naquela noite trinta chicotadas. Daria ainda mais se os meus braços não tivessem começado a doer e o frio não me afligisse nem a escuridão da noite me impedisse de enxergar. Conservei-o amarrado ao tronco, com a carne viva exposta, até na manhã seguinte.
Uma vez no bosque, eu poupava energia. Usá-la-ia para materializar o meu desejo torpe, o meu pecado irresistível. Isaque esforçava-se, gastando a sua energia, e tornando-se cada vez mais indefeso. Era impressionante a quantidade de madeira que ele juntara aos seus pés. Apesar de ser bem mais jovem e possuir um porte avantajado, já apresentava sinais de grande desgaste. Ofegava, inclinando a cabeça e flexionando os joelhos.
- Ainda não está bom, senhor? - perguntou-me depois de algumas horas.
- Não. Mais, mais!
Há maior prazer em preparar-se para a festa do que na própria festa em si, costumam dizer, de modo que já não me recordo qual, e devo confessar que concordo com esse provérbio, embora o meu caso seja bem particular e sua aplicabilidade, excêntrica, para não dizer outra coisa. Como rejubilava-me em planejar a sua tragédia! Não, senhores, jamais fui um homem misericordioso. Se pensavam assim, por eu ser silencioso e polido, enganaram-se todos, redondamente. Decidia-me eu o que faria, inquieto em meu interior inacessível, como uma criança incapaz de se decidir por qual lado do doce deve lhe aplicar a primeira mordida. "Não, ei-lo de atingir um pouco acima, aqui", pensava, descansando o machado e secando a testa umedecida. "Agora não, deixa-lo-ei pensar que está tudo em paz". Sentia prazer em seu sorriso. Muito. "Que belos dentes haverei de quebrar!". Divertia-me muito, confesso, e não poucas vezes ele me surpreendia afundado em pensamentos, rindo pelos cantos.
- Lindo o canto dos pássaros, não acha? - perguntei-lhe, ofegante, com um sorriso largo no rosto e uma gentileza impressionante.
- Sim, senhor. Tens toda a razão - respondeu depois de se virar para mim.
- Penses, cavalo, que um dia esta terra, fria e que hoje nos dá o que comer, irá nos engolir como uma corsa sedenta, com grandes goles, logo depois que nossos parentes e amigos nos jogarem fora, como lixo, inutilizáveis. Deste dia em diante, abandonados em nossa solidão eterna, não poderemos mais ouvir o canto alegre de pássaro algum nem mesmo o mais alto berro feito pelo mais aflito dos peitos.
Pareceu-me ele, por um instante, muito impressionado com as minhas palavras, algo que me deu enorme prazer. Assustava-o sempre dizendo coisas do tipo. Ria-me desta facilidade.
Que vontade tive de o acertar bem no meio da testa! Aquela testa estúpida, disforme! Bastar-me-ia um golpe com o machado e eu esmagaria o seu crânio! Dividi-lo-ia ao meio se usasse o lado da lâmina. Sequer veria o golpe! Mas não, não o fiz imediatamente, senhores, sou um homem controlado. Enganam-se de novo.
- Um pintassilgo! - disse ele.
- O quê? - perguntei. Distraído, encontrava-me imerso em meus pensamentos.
- Há um pintassilgo entre eles. São raros por aqui - disse, apontando para uma árvore localizada um pouco além.
Dei de ombros.
- Por que me chamaste de demônio na semana passada? - perguntei-lhe enquanto me impacientava.
Seu rosto jovial ganhou um ar de seriedade. Ele fitou-me e respondeu:
- Jamais o chamei de demônio, senhor!
- Talvez tenha sido apenas um sonho - respondi, confuso.
- Provavelmente, senhor.
No entanto, algo ainda me perturbava, invadia-me a alma e a estrangulava. A dor de cabeça ia aumentando e eu podia sentir as minhas têmporas, encharcadas de suor, palpitando e palpitando.
- Achas que estou ficando louco, cavalo?
- Não, senhor - disse. - "Doente" é a palavra mais apropriada. Estás doente. Bem se vê que emagreceste muito nos últimos meses.
- Dizem que estou ficando louco, cavalo. Sabes disso? Todos dizem isso. Todos!
Ele calou-se. Todo o meu corpo se tornou trêmulo. Minha respiração foi aos poucos se tornando mais pesada. De repente um sorriso desvairado se formou em meu rosto.
- Sabes por que o chamei para cá? - prossegui, sentindo uma forte febre atacar-me. - Pretendia matá-lo. Com uma machadada na cabeça! Não estou louco? Diga-me, diga-me! Não estão eles certos? Não estou realmente louco?
Isaque teve um sobressalto e deu dois passos para trás. Tornou-se incrivelmente pálido. Havia medo em seus olhos; arregalaram-se diante da lâmina que brilhava ao sol. A palidez estúpida. Os lábios, trêmulos.
- Acreditas neles! - disse-lhe eu num grito, um uivo, sentindo um forte sentimento dominar-me. E então...
Atingi-o! Bastou um golpe certeiro no alto da cabeça para vê-lo despencar como um saco de batatas! Tremia como um verme no sol! O sangue era santo! Santo! Atingi-o de novo e de novo, e de novo. Rá-rá-rá!
Cheguei em casa quando o céu já escurecia, com tons vermelhos no horizonte, totalmente esgotado. As lamparinas estavam acesas e Sofia esperava-me na varanda, aflita. Agarrou-me pela camisa e perguntou assim que entrei pelo portão:
- Onde está o Isaque?
Usava ela a camisola de sempre e se preparava para deitar.
- E que tenho eu com isso? Sou, por acaso, o protetor dele? - perguntei me esquivando.
Entramos na sala. Ela, a minha segunda sombra.
- Ouvi dizer que vocês saíram juntos hoje cedo.
Eu esbocei um sorriso cínico.
Um pensamento incômodo passou pela sua mente feminina e tornou-se a personificação do terror.
- Tu não fizeste nada com ele, fizeste?
- E o que eu faria com ele? É um inútil! Ninguém sentiria falta.
- E este sangue na sua camisa? - balbuciou.
Baixei os olhos e avistei a mancha infame sobre o peito. Não a notara antes. Então um calafrio me percorreu a espinha.
- Um porco selvagem - eu principiei a dizer, mas minha voz foi se tornando chorosa; a garganta travou e entreguei-me a incontidos soluços. - Eu o matei! - exclamei, caindo de joelhos e tocando o chão com o rosto. - Eu o matei! Isaque está enterrado no bosque agora!
- Oh, meu Deus! - exclamou ela, como se fosse desmaiar.
A seguir eu lhe contei tudo o que acontecera naquela manhã. Ela, no princípio, repelia-me, afastava-se num impulso covarde. Odiava-me? Com o tempo, abraçou-me, alterando entre um silêncio angustiante e impropérios misturados a palavras de consolo. "Afinal, tu não tens limites?", perguntava-me enquanto abraçava o meu pescoço. Quase chegava a me esganar.
- Não hei de me entregar à polícia - eu disse, quando começava a sentir envergonhado por ter me sentido culpado em um breve momento de fraqueza. - Jamais! Sou um homem doente! Não possuo culpa alguma! Qualquer pessoa que não tolere a estupidez o teria matado. Demorei para fazê-lo! Eis tudo!
Desvencilhei-me dela e fui deitar-me. Ela foi se deitar logo depois, sem me dizer nada. Todavia eu não conseguia me desligar. Em minha mente os pensamentos turbilhonavam. Com os sentidos aguçados, era impossível dormir. Eu havia matado um homem e me sentia muito bem por isso. Ultrapassara a barreira que me igualava a um homem qualquer. Que bela machadada havia lhe dado!
Estendi o braço, depois de me virar sobre a cama, e coloquei as mãos sobre os seios de Sofia. Pude sentir o seu corpo tremer. Ela deu um grito abafado e se afastou. Aproximei-me, desta vez encaixando o meu corpo no seu. Como era maravilhoso o perfume que ele exalava! Sofia tentou se desprender dos meus braços, mas não tinha forças para me resistir.
- Largue-me! - exigiu, com voz embargada.
Sacolejava-se muito e tive que a imobilizar.
- Depois - eu disse, apertando-a com mais força ainda contra o meu corpo. Minha virilha fazia uma forte pressão sobre as suas nádegas e ela podia sentir o meu membro rígido, pulsante. - Eu irei sodomizar-te primeiro.
- Eu não quero - ela lamentou-se, como se apelasse para a minha consciência ou para a Providência. - Estás me machucando.
Na verdade, quanto menos ela quisesse, mais eu iria querer, e quanto mais ela lutasse, maior seria o meu prazer em tentar forçar o coito. Queria machucá-por dentro, não com socos nem tapas, mas com aquele pedaço de carne que ganhava corpo dentro de minha calça e que, tornando-se independente, pedia para sair e explorar seu orifício. Imóvel, Sofia olhava para os meus braços, aos soluços, e mais lhe pareciam correntes de aço em redor de sua bela silhueta. Bem verdade, parecia resignar-se.
- Irá doer, mas será rápido - eu disse, serpenteando as mãos sobre o seu ventre e invadindo com os dedos os tufos negros de seu vasto pentelho. - Prometo.
Coloquei-o para fora e a cabeça lisa refletia a luz fraca que entrava pelas frestas da janela. Puxei a sua calcinha e a minha presa gritou, remexendo-se. Era forte! Esperei alguns segundos e tentei puxar a peça de novo. Desta vez a consegui segurar com firmeza e tentei fazer com que deslizasse pelas suas coxas grossas, mas Sofia encolheu as pernas e tentava conservá-la consigo. Como aquilo me excitava! Eu segurava tão firmemente a calcinha que a poderia rasgar, se quisesse, apenas com dois ou três puxões. Era bastante flexível e eu estava disposto a estourar ou a relaxar o elástico.
- Lutes, sim! - eu disse. - É mais gostoso.
Bastar-me-ia uma fresta, por onde eu poderia abrir passagem para o meu pênis. Consegui passar um braço por dentro do seu, enquanto as mãos abriam suficientemente suas pernas. As forças de Sofia acabavam e aquela ela uma posição incontornável. Então meu membro começou a roçar a sua coxa. Sofia apertava uma coxa contra a outra e eu forçava caminho, abrindo suas pernas com as mãos e descendo um pouco mais a calcinha.
- Irás fazer tudo com as pernas abertas - eu disse, julgando ser este um princípio natural e inalienável.
Introduzi o membro e ela gemeu de dor. Empurrei-o no estreito trilho enrugado e ele se deixou deslizar. Uma vez, e outra. E mais uma ainda. Aprofundei-me e tornei-me mais violento, sentindo a sua carne quente, que se dilatava e abria passagem, a acolher-me. As estocadas mais lentas deram lugar a estocadas mais constantes e firmes, e o meu saco escrotal passou a "estapear" as suas nádegas. O som excitava, parecia aqueles tapinhas que se dá nas bochechas. Sofia franzia as sobrancelhas e mordia os lábios, murmurando. Subitamente, eu me tornara um epilético.
Dormi logo.
-
- Vinde comigo ao bosque cortar lenha, estúpido.
Ele assentiu e partimos no mesmo instante.
Não sabia ele que aquela era uma viagem sem volta para um de nós. Era meu empregado havia muitos anos e, enfadado com todas as diversões de outrora, buscava eu um novo meio de entreter-me com o meu "cavalo". Censuram-me por chamá-lo de meu cavalo? Pois bem, chamava-o assim e ele me atendia. Culpem-no.
Como divertia-me com ele? Certa vez deixei, propositadamente, um velho vaso na beira da estante, antes que ele entrasse para limpar a sala de visitas, como fazia com frequência. Encontrava-me, atento, com uma das orelhas colada à parede quando o silêncio foi interrompido pelo som da porcelana partindo e dos cacos que quicavam no chão.
- O que foi isso? - perguntei do outro lado da parede.
Isaque emudeceu.
- Quebraste algo? Meu vaso caríssimo?
Adentrei a sala com passos rápidos e constatei o ocorrido com alegria. Isaque pálido como um fantasma. Dei-lhe naquela noite trinta chicotadas. Daria ainda mais se os meus braços não tivessem começado a doer e o frio não me afligisse nem a escuridão da noite me impedisse de enxergar. Conservei-o amarrado ao tronco, com a carne viva exposta, até na manhã seguinte.
Uma vez no bosque, eu poupava energia. Usá-la-ia para materializar o meu desejo torpe, o meu pecado irresistível. Isaque esforçava-se, gastando a sua energia, e tornando-se cada vez mais indefeso. Era impressionante a quantidade de madeira que ele juntara aos seus pés. Apesar de ser bem mais jovem e possuir um porte avantajado, já apresentava sinais de grande desgaste. Ofegava, inclinando a cabeça e flexionando os joelhos.
- Ainda não está bom, senhor? - perguntou-me depois de algumas horas.
- Não. Mais, mais!
Há maior prazer em preparar-se para a festa do que na própria festa em si, costumam dizer, de modo que já não me recordo qual, e devo confessar que concordo com esse provérbio, embora o meu caso seja bem particular e sua aplicabilidade, excêntrica, para não dizer outra coisa. Como rejubilava-me em planejar a sua tragédia! Não, senhores, jamais fui um homem misericordioso. Se pensavam assim, por eu ser silencioso e polido, enganaram-se todos, redondamente. Decidia-me eu o que faria, inquieto em meu interior inacessível, como uma criança incapaz de se decidir por qual lado do doce deve lhe aplicar a primeira mordida. "Não, ei-lo de atingir um pouco acima, aqui", pensava, descansando o machado e secando a testa umedecida. "Agora não, deixa-lo-ei pensar que está tudo em paz". Sentia prazer em seu sorriso. Muito. "Que belos dentes haverei de quebrar!". Divertia-me muito, confesso, e não poucas vezes ele me surpreendia afundado em pensamentos, rindo pelos cantos.
- Lindo o canto dos pássaros, não acha? - perguntei-lhe, ofegante, com um sorriso largo no rosto e uma gentileza impressionante.
- Sim, senhor. Tens toda a razão - respondeu depois de se virar para mim.
- Penses, cavalo, que um dia esta terra, fria e que hoje nos dá o que comer, irá nos engolir como uma corsa sedenta, com grandes goles, logo depois que nossos parentes e amigos nos jogarem fora, como lixo, inutilizáveis. Deste dia em diante, abandonados em nossa solidão eterna, não poderemos mais ouvir o canto alegre de pássaro algum nem mesmo o mais alto berro feito pelo mais aflito dos peitos.
Pareceu-me ele, por um instante, muito impressionado com as minhas palavras, algo que me deu enorme prazer. Assustava-o sempre dizendo coisas do tipo. Ria-me desta facilidade.
Que vontade tive de o acertar bem no meio da testa! Aquela testa estúpida, disforme! Bastar-me-ia um golpe com o machado e eu esmagaria o seu crânio! Dividi-lo-ia ao meio se usasse o lado da lâmina. Sequer veria o golpe! Mas não, não o fiz imediatamente, senhores, sou um homem controlado. Enganam-se de novo.
- Um pintassilgo! - disse ele.
- O quê? - perguntei. Distraído, encontrava-me imerso em meus pensamentos.
- Há um pintassilgo entre eles. São raros por aqui - disse, apontando para uma árvore localizada um pouco além.
Dei de ombros.
- Por que me chamaste de demônio na semana passada? - perguntei-lhe enquanto me impacientava.
Seu rosto jovial ganhou um ar de seriedade. Ele fitou-me e respondeu:
- Jamais o chamei de demônio, senhor!
- Talvez tenha sido apenas um sonho - respondi, confuso.
- Provavelmente, senhor.
No entanto, algo ainda me perturbava, invadia-me a alma e a estrangulava. A dor de cabeça ia aumentando e eu podia sentir as minhas têmporas, encharcadas de suor, palpitando e palpitando.
- Achas que estou ficando louco, cavalo?
- Não, senhor - disse. - "Doente" é a palavra mais apropriada. Estás doente. Bem se vê que emagreceste muito nos últimos meses.
- Dizem que estou ficando louco, cavalo. Sabes disso? Todos dizem isso. Todos!
Ele calou-se. Todo o meu corpo se tornou trêmulo. Minha respiração foi aos poucos se tornando mais pesada. De repente um sorriso desvairado se formou em meu rosto.
- Sabes por que o chamei para cá? - prossegui, sentindo uma forte febre atacar-me. - Pretendia matá-lo. Com uma machadada na cabeça! Não estou louco? Diga-me, diga-me! Não estão eles certos? Não estou realmente louco?
Isaque teve um sobressalto e deu dois passos para trás. Tornou-se incrivelmente pálido. Havia medo em seus olhos; arregalaram-se diante da lâmina que brilhava ao sol. A palidez estúpida. Os lábios, trêmulos.
- Acreditas neles! - disse-lhe eu num grito, um uivo, sentindo um forte sentimento dominar-me. E então...
Atingi-o! Bastou um golpe certeiro no alto da cabeça para vê-lo despencar como um saco de batatas! Tremia como um verme no sol! O sangue era santo! Santo! Atingi-o de novo e de novo, e de novo. Rá-rá-rá!
Cheguei em casa quando o céu já escurecia, com tons vermelhos no horizonte, totalmente esgotado. As lamparinas estavam acesas e Sofia esperava-me na varanda, aflita. Agarrou-me pela camisa e perguntou assim que entrei pelo portão:
- Onde está o Isaque?
Usava ela a camisola de sempre e se preparava para deitar.
- E que tenho eu com isso? Sou, por acaso, o protetor dele? - perguntei me esquivando.
Entramos na sala. Ela, a minha segunda sombra.
- Ouvi dizer que vocês saíram juntos hoje cedo.
Eu esbocei um sorriso cínico.
Um pensamento incômodo passou pela sua mente feminina e tornou-se a personificação do terror.
- Tu não fizeste nada com ele, fizeste?
- E o que eu faria com ele? É um inútil! Ninguém sentiria falta.
- E este sangue na sua camisa? - balbuciou.
Baixei os olhos e avistei a mancha infame sobre o peito. Não a notara antes. Então um calafrio me percorreu a espinha.
- Um porco selvagem - eu principiei a dizer, mas minha voz foi se tornando chorosa; a garganta travou e entreguei-me a incontidos soluços. - Eu o matei! - exclamei, caindo de joelhos e tocando o chão com o rosto. - Eu o matei! Isaque está enterrado no bosque agora!
- Oh, meu Deus! - exclamou ela, como se fosse desmaiar.
A seguir eu lhe contei tudo o que acontecera naquela manhã. Ela, no princípio, repelia-me, afastava-se num impulso covarde. Odiava-me? Com o tempo, abraçou-me, alterando entre um silêncio angustiante e impropérios misturados a palavras de consolo. "Afinal, tu não tens limites?", perguntava-me enquanto abraçava o meu pescoço. Quase chegava a me esganar.
- Não hei de me entregar à polícia - eu disse, quando começava a sentir envergonhado por ter me sentido culpado em um breve momento de fraqueza. - Jamais! Sou um homem doente! Não possuo culpa alguma! Qualquer pessoa que não tolere a estupidez o teria matado. Demorei para fazê-lo! Eis tudo!
Desvencilhei-me dela e fui deitar-me. Ela foi se deitar logo depois, sem me dizer nada. Todavia eu não conseguia me desligar. Em minha mente os pensamentos turbilhonavam. Com os sentidos aguçados, era impossível dormir. Eu havia matado um homem e me sentia muito bem por isso. Ultrapassara a barreira que me igualava a um homem qualquer. Que bela machadada havia lhe dado!
Estendi o braço, depois de me virar sobre a cama, e coloquei as mãos sobre os seios de Sofia. Pude sentir o seu corpo tremer. Ela deu um grito abafado e se afastou. Aproximei-me, desta vez encaixando o meu corpo no seu. Como era maravilhoso o perfume que ele exalava! Sofia tentou se desprender dos meus braços, mas não tinha forças para me resistir.
- Largue-me! - exigiu, com voz embargada.
Sacolejava-se muito e tive que a imobilizar.
- Depois - eu disse, apertando-a com mais força ainda contra o meu corpo. Minha virilha fazia uma forte pressão sobre as suas nádegas e ela podia sentir o meu membro rígido, pulsante. - Eu irei sodomizar-te primeiro.
- Eu não quero - ela lamentou-se, como se apelasse para a minha consciência ou para a Providência. - Estás me machucando.
Na verdade, quanto menos ela quisesse, mais eu iria querer, e quanto mais ela lutasse, maior seria o meu prazer em tentar forçar o coito. Queria machucá-por dentro, não com socos nem tapas, mas com aquele pedaço de carne que ganhava corpo dentro de minha calça e que, tornando-se independente, pedia para sair e explorar seu orifício. Imóvel, Sofia olhava para os meus braços, aos soluços, e mais lhe pareciam correntes de aço em redor de sua bela silhueta. Bem verdade, parecia resignar-se.
- Irá doer, mas será rápido - eu disse, serpenteando as mãos sobre o seu ventre e invadindo com os dedos os tufos negros de seu vasto pentelho. - Prometo.
Coloquei-o para fora e a cabeça lisa refletia a luz fraca que entrava pelas frestas da janela. Puxei a sua calcinha e a minha presa gritou, remexendo-se. Era forte! Esperei alguns segundos e tentei puxar a peça de novo. Desta vez a consegui segurar com firmeza e tentei fazer com que deslizasse pelas suas coxas grossas, mas Sofia encolheu as pernas e tentava conservá-la consigo. Como aquilo me excitava! Eu segurava tão firmemente a calcinha que a poderia rasgar, se quisesse, apenas com dois ou três puxões. Era bastante flexível e eu estava disposto a estourar ou a relaxar o elástico.
- Lutes, sim! - eu disse. - É mais gostoso.
Bastar-me-ia uma fresta, por onde eu poderia abrir passagem para o meu pênis. Consegui passar um braço por dentro do seu, enquanto as mãos abriam suficientemente suas pernas. As forças de Sofia acabavam e aquela ela uma posição incontornável. Então meu membro começou a roçar a sua coxa. Sofia apertava uma coxa contra a outra e eu forçava caminho, abrindo suas pernas com as mãos e descendo um pouco mais a calcinha.
- Irás fazer tudo com as pernas abertas - eu disse, julgando ser este um princípio natural e inalienável.
Introduzi o membro e ela gemeu de dor. Empurrei-o no estreito trilho enrugado e ele se deixou deslizar. Uma vez, e outra. E mais uma ainda. Aprofundei-me e tornei-me mais violento, sentindo a sua carne quente, que se dilatava e abria passagem, a acolher-me. As estocadas mais lentas deram lugar a estocadas mais constantes e firmes, e o meu saco escrotal passou a "estapear" as suas nádegas. O som excitava, parecia aqueles tapinhas que se dá nas bochechas. Sofia franzia as sobrancelhas e mordia os lábios, murmurando. Subitamente, eu me tornara um epilético.
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