Escritas

o silêncio que me marcam as palavras…

leal maria

o silêncio mastiga-me a palavra…
e tu, na ombreira dessa porta,
adias a partida…
olhas-me…
no teu olhar, vejo uma ensurdecedora cacofonia;
que num libelo acusatório,
de dedo apontado ao mais fundo de mim;
culpa-me da natureza que o tempo tem.
Mas meu bem…
que interessa a culpa, agora que chegamos ao fim?
não vemos tudo à nossa volta ruir!?
vai então!
senão… terei que ser eu a fugir!
e isso, seria revelar-te o que há muito em mim procuras.
verias que foram reais todas as minhas ternuras.
já não irias seguir esse caminho.
e eu… eu quero ficar sozinho!
quero sentir-me abandonado…
que o tempo é chegado!
a solidão chama-me pelo nome…
e há em mim tanta coisa que se some!
de ti, já só quero a memória esbatida pelo tempo.
um vago sabor do antigo sentimento…
a amargar-me os lábios.
que a vida me seja uma constante procura de sentido.
como um procurar de respostas junto de velhos sábios.
mas sempre, sempre; dar-me como perdido...


leal maria (todos os direitos reservados)

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