Escritas

Noite

Luzia Magalhães Cardoso

A noite veio muda... E infiltrou-se pelos cantos...
Foi fechando toda trilha que aos sonhos conduzia.
Espalhou uma densa bruma... Escondeu todo encanto...
E secando a esperança, era pranto que colhia.
 
E a noite chegou plena... Tão ciente de seu breu...
Sem dar margens para a lua lá no céu aparecer,
Fez seus raios encolherem quando a aura escureceu,
E matou a poesia que brigava pra viver.

E a noite foi tirana... Não deu brechas pras estrelas.
Comandando um vento frio, apagou a luz das velas.
Dominando a escuridão, exilou pontos de luz.

E a noite veio em ondas... E até hoje nos conduz...
Quando cai, nos prende e arrasta... Leva-nos às profundezas...
Abre em chagas nosso peito, onde brotam as tristezas.



Luzia M. Cardoso