Luzes do Asfalto
Luzia Magalhães Cardoso
Vem do alto o sol nascente descortinando o asfalto.
Lá no céu, o tempo mostra muitas cores, luzes sombras...
E na rota, o andarilho já apalma todo o chão.
Os olhos presos ao chão não enxergam a nascente.
Segue trilhas, andarilho, na tristeza do asfalto...
E na face brotam sombras quando as chagas ficam à mostra.
Mas a dor também se mostra, na sangria desse chão.
Vira esquinas, entre sombras que envenenam a nascente...
E o chicote do asfalto a açoitar o andarilho.
Desce a noite no andarilho... Viva alma não se mostra.
Só, retira do asfalto cada pedra do seu chão.
Vê a morte na nascente quando a luz já chega em sombras.
Todo dia são as sombras que acordam o andarilho,
com a foice na nascente e a tristeza que se mostra...
Pés descalços sangram o chão quando ralam no asfalto...
Não há brechas no asfalto, ele é pleno de sombras.
Sobrevida vira chão quando vira andarilho.
Ninguém o vê, mas se mostra... Suando o pão ao sol nascente.
Cata a dor, pobre andarilho!
Vive em sombras sua nascente que enterramos no asfalto.
Luzia M. Cardoso
Obs: Este poema é uma sextina, com seis versos em cada estrofe.
Contudo, mudei a formatação do poema, fazendo de cada dois versos,
um, para caber integralmente no livro do site.
Contudo, mudei a formatação do poema, fazendo de cada dois versos,
um, para caber integralmente no livro do site.
Comentários (2)
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Luzia Magalhães Cardoso
2012-01-30
Obrigada pela visita e pelo comentário, Sérgio. Li, há algum tempo atrás, um livro de Jung que discutia os arquétipos do tarô . <br /> <br /> Obrigada por tua visita e atenção no comentário<br /> <br /> Beijos<br />
Sergio Lemos
2012-01-25
Existe no tarô uma carta chamada o "Louco"...Lembrei-me dele ao ler o andarilho das "Luzes do asfalto". Seu belo poema mostra arquétipos parecidos. Gostei muito. Ps. Grato por sua gentileza.
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