Escritas

Da próxima vez

Danilo de Jesus
Da próxima vez
Ansiarei tudo, mas nada direi
Porque serei o normal de argila
Por isso, da próxima vez ficarei em segredo;

Da próxima vez
O coração não passará de um órgão
Portanto, o museu que é ele não mais estará aberto a visitas
E nem mais seus objetos estarão avulsas a qualquer um
Como se fossem produtos em promoção .

Da próxima vez
Eu me reformularei e também me despirei em gestos largos e quase sem movimentos
E sem perfeição e nem impaciência,
Por isso, percorrei este caminho longo á passos pré-históricos aos de revoluções científicas.

Da próxima vez
A despedida não mais será como o sol que deixa raios tristes de luz quando não quer ir embora
Mas sim, como o amanhã que o tempo independente do calor do sol ou do brilho da lua trará outro novo!

Mas se da próxima vez...
Recolherem todo esse caos e
Curarem-me da ferrugem que cai dos meus sonhos e
Livrarem-me da magoa física na alma e
Orientarem-me desse avesso caminho que mesmo parado sigo e
Falarem-me enquanto meu silêncio refutar qualquer não...
- ai sim! Da próxima vez estarei preso na cadeia de outra vida - Sem limites...