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O PIADO DA CORUJA

Elian (Nane)



Cansada no meu cansaço
Surto a cada anoitecer
Quando pia a coruja
Um piado de mau agouro

O copo ainda cheio
Espuma acima do dourado
Subindo bolinhas borbulhantes
Embora quentes, num canto

Os dedos estalados a todo instante
Dançando num teclado sem grafite
Sabendo o lugar exato de tocar
Sem ser preciso olhar

Ouvindo o lamento no quarto ao lado
Enquanto as palavras salpicam na tela
Buscando um sentido qualquer
Na cabeça aparvalhada de cerveja

A brasa consome o dorso
Enquanto os dedos seguem inquietos
Aguardando o comando
Pensante e desordenado

Misturam-se as dores
Cabeça e tronco
Na frente e atrás
Enquanto os dedos deslizam

Ditam as palavras
A cerveja e o cigarro
Interrompe o pensamento
O triste lamento

Poesia inacabada
Nascida na hora errada
Abortada no peito inflado
De tanta inquietude

Nem a merda do futebol
Dá vazão a pressão
De como acabar as estrofes
Engasgadas nos gargomilos

E esses dedos inquietos
Teclando a esmo
Tentando poetizar
O que a cabeça não consegue rimar

Cansada no meu cansaço
Sem conseguir descansar
Ouvindo a coruja piar
E tendo que ir deitar

É hora de parar...

(Nane-22/03/2015)

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