Lista de Poemas

A MORTE DE UM SONHO


Meu sonho adormeceu
No seu silêncio devastador
E entorpecido liberou
A realidade que me compete
Pede coragem a vida
E outros sonhos vislumbram
Enquanto no limiar da loucura
Descansa o principal
Pedem passagem os novos
Para alimentar a vida
Enquanto adormecido o fatal
Não liquida com a mesma
É briga de foice
Da ilusão com a realidade
E não só adormecer
Um é preciso morrer
Ou o sonho mata a vida
Ou a vida mata o sonho
Deixá-lo apenas adormecido
É transformá-lo em pesadelo
E sonho que não pode ser sonhado
Pede adaga afilada
Cravada com força nas entranhas
Enquanto entorpecido
(Nane-31/03/2015)

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Num só instante


Um instante...
Apenas um instante
Tão pouco e tão muito
Um instante derradeiro
Onde tudo acontece
Não passa de um instante
O instante derradeiro
Se nasce e se morre
Se ama e se odeia
Em apenas um instante
Que é tempo derradeiro
De tudo se fazer...

É só um instante
Para tudo transformar
Ou nada mudar
E tudo continuar
É um instante derradeiro
De falsos e verdadeiros...

Instantes vividos
Tempos perdidos
Amores esquecidos
Vontades vencidas
Sonhos desfeitos...

Instantes vividos
Tempos sonhados
Amores sacramentados
Vontades satisfeitas
Sonhos realizados...

(Elian-19/03/2012)

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SINA DE MÃE


Rasga teu ventre ensanguentado
Cuspindo a semente germinada
Entre amnióticos líquidos
Jorrados de tuas entranhas
Beija a cabeça coroada
Pelos dejetos abençoados
No instante supremo
Do teu grito lacerante
Aconchega em teus braços
Fazendo silenciar
O choro de estranheza
Do despejado de teu ventre
Sirva-lhe ainda quente
O néctar da vida
Da glândula em flor
Desabrochada em teus seios
Cortaram-lhe o cordão
E já não mais está em ti
Paristes teu filho
Mas não o teu destino
Proteja-o sob as tuas asas
Até quando puder
Mas quando aprender a voar
Entregue-o ao Criador
E reze...
(Nane-25/03/2015)

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Mulher caramujo



Sou mulher
Fui caramujo
Saí sim, do meu casulo
Mas deixei rastros em meu caminho

A repulsa por mim mesma
Criou gosma aderente
Denunciando os meus passos
Trôpegos e incertos

Fui morte em plena vida
Num recluso impiedoso
Fiz um parto do meu útero
Renascendo de mim mesma

Experimentei a escuridão
No túnel da minha própria reclusão
Me rastejei e deixei marcas
Da vida, quese por mim extirpada

Afundei no meu mergulho
Presa no meu visgo
Lutei comigo mesma
E pari eu de mim, assim

Deixei o caramujo
Sou mulher de novo
Já não tenho mais o visgo
Que tanta repulsa me causou

Num banho de chuva de verão
Tirei toda a gosma que restou
Eis que surge a mulher exposta
Para a vida que se renova

(Nane-04/01/2012)

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Fórmula de viver

A vida te ensina
As mazelas da vida
Em cada esquina
Uma vertente perigosa

Segue teu rumo
Sem temer a morte
Porque ela espreita
E nos faz refém
Viva cada dia
Como se outro não houvesse
O amanhã é incerto
O hoje...presente (de Deus)
Sorria, ainda que banguela
Dos desatinos do destino
Perdoe teus perseguidores
Desate teus nós

A solidão é tua casa
Ninguém é de ninguém
O pó é teu destino
A soberba a armadilha

Viva sem desculpas
Todas as tuas culpas
Deixe viver sem preconceitos
A vida do alheio

A vida me iludiu
Com a realeza na infância
A vida me mostrou
A dura realidade
Aproveite cada instante
E viva intensamente
O amanhã é uma incógnita
Sem fórmula definida

(Nane-22/10/2014)

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Intermeios

Pago o preço que for
para destroçar meus intermeios.
Rasgo minha pele
e exponho minhas vísceras
por minhas verdades.
Não que sejam elas definitivas,
ao contrário, são nômades,
como eu mesma.
Mas são minhas e me orgulho disso.
Visto de sonhos meus intentos
e vou em frente sem pesar.
Caio no despenhadeiro do pesadelo
mas meus sonhos, meus intentos,
esses teimam em vigorar...
Levanto na poeira do meu tombo,
Retiro o pó com minhas mãos,
e sem falsa modéstia nenhuma
faço dos meus sonhos a verdade
pela qual exponho...o meu avesso.

(Nane-14/03/2013)
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SENTIMENTOS DISTORCIDOS


Vim de tão longe
Sem saber o que me esperava
Além do amor
Ao qual me dediquei
Da janela olho
Meu olhar vazio
Onde anda a prole
Que tanta rugas me custou
São tantos contratempos
Minha mãe se despediu
Mas eu não ouvi
E agora tento gritar adeus
Deus
Minha prole não escuta
E eu preciso ir
Antes do amanhecer
Meu olhar turvo não permite
Que eu veja essas coisas
E a cabeça gira sem rotação
Apenas por girar
Um leito feito prisão
Um pássaro ferido
E o longe tão perto
E o perto tão distante
Quem é quem nessa cidade
Mãe e filho, filho e mãe
Distorcidas imagens refletidas
No espelho da dignidade
Lá fora faz frio
É o que eu sinto aqui
Nem sei se estou dentro
Mas calor, só de vergonha
Dia e noite misturados
E eu nunca acerto a hora certa
Lágrimas e soro se misturam
É sal, é sol, é sul, sem norte
A janela é inalcançável
Talvez tenha uma lua lá fora
Ou quem sabe o sol brilhe
Mas não volto de onde vim
Lá longe minha mãe se foi
E eu nem a ouvi
Vou de encontro a ela
Bem mais velha do que era (ela)
A prole se cala
Talvez me abrace na despedida
O soro e a lágrima secaram
E sorrio livre
(Nane-22/08/2015)

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POESIA SENTIDA


Adormece em mim
A poesia
Latente e em ebulição
Falando somente à mim
Palavras não ditas
Mas sentidas
Só minhas
E de mais ninguém

Prefácio de vida
Num sono entediante
De uma vida sem graça
A espera da vida além da vida
Ah poeta
Dê asas ao teu dom
E (d)escreva o amor
Sem jamais o viver
Sois feito Moisés
Eleito por Deus
Conduzas teus leitores ao amor
Mas na terra prometida, não entres
Deixa que teus sonhos se refaçam
Em cada nova poesia
E entenda que o azul da cor do mar
Não passa de mera razão para sonhar
(Nane-18/08/2015)

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POETA DE LATRINA


Maldita a hora em que me fiz poeta
De esquina
Nas saídas dos bares
Nas madrugadas
Agasalhando no peito
As dores do mundo
Apiedando nas palavras
Da própria insignificância
Por não conseguir sorrir
Das desgraças embriagantes
Num copo interminável de cerveja
Escrevo aos amantes
Palavras adocicadas
Zombando da imbecilidade
De quem nelas acreditam
Sem perceberem que se esvaem
Na mais branda das brisas
Que sopra ao luar
Cúmplice nas enganações
Que todo poeta rabisca
Mais por ego que por convicção
À quem se presta à lê-lo
Então equilibro meus escritos
Entre dores e amores
Sem deixar vazar a verdade
Contida nas entrelinhas
Lidas e não entendidas
Pelos amantes da poesia
Induzidos pelo proxeta
Que lhes escreve sem pudor
Feito um famigerado gigolô
Prostituindo sua vítima
Em troca de seu ego
(Nane-03/07/2015)

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DÉJÁ VU


É normal
Eu te amar
Feito anormal
Que ama sem sentido
É normal te amar
Feito quem ama
Como animal irracional
E abana o rabo
E teu rosto esculpido
Nos poros da minha pele
Sorrindo e rindo
Do meu rosto enfadado
É normal teu escárnio
Ao meu amor supremo
Jogado fora
Na soberba da tua certeza
É normal tua indiferença
Ao caos da minha sobrevivência
Diante da felicidade
Dos amantes que te invade
É normal tua risada
Escancarada ecoando
Debochando de um sentimento
Incompreensível e não sentido
É normal não entender
O déjá vu vivido
E tomara, não perdido
Em mim... ou em você
(Nane-12/07/2015)

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joaoeuzebio
2020-08-13

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO

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