Escritas

NO SILÊNCIO A POESIA GERMINA

Rosangela Colares
Esta manhã andei folheando os
livros da vida

Suas folhas tinham-se tornado em
matizes coloridas

Com palavras que escolhi, cartas
do verão passado.



Olhei os poemas com letras
desbotadas

Removi pecados passados em um
texto amarelecido

Encontrei uma página em branco



Plantei os bulbos das palavras
que me veio em mente

Plantei algumas consoantes

Caprichei um pouco mais em um
quadro de vogais



Estou rodeada de fileiras de
canteiros

Os acentos com um ar aromatizado

Semeado para fazer um pequeno
recanto de lendas



Mais tarde preparou a praça de
pontuação

Uma fila de vírgulas, um pouco
de exclamações.

Uma saraivada de vários pontos e
perguntas



Eu coloquei o efeito estufa na
feira das Maiúsculas

Cobri parênteses com minúsculas

E cercado por caracteres, um tule
especial.



Enxuguei a papelada com estilo

Armazenado em um frasco de vidro
frágil inspiração

Fechou o livro na página e
tornou-se febril



No jardim das palavras, a disposição
chegou

Eu comecei plantando guardas not
books

No silêncio, os poemas podem germinar.