Anzóis e rios
Menino de pés descalços,
Que sua voz empresta ao ronco
de seus tratores e caminhões.
De estilingue inseparável,
e arapucas traiçoeiras.
Imitações selvagens quase perfeitas
desagradando pássaros
nos esconderijos nas capoeiras.
Menino de anzóis e rios,
de solidão memoriadas em imagens
em noites tremidas de frio.
A geada da madrugada
em partes que congelava
a vida se enroscava
no clarear de um novo dia.
Pra ser feliz na existência
bastava sol e comida
escola e carinhos só da vida.
Quando pra cidade veio
com a pele quase nua
renda só de latinhas
sentiu que o bicho era mais feio,
cama de papelão na rua
acordava dolorido
inconformado roubou
uma bala o atingiu em cheio
coração partiu ao meio
indigente foi chamado
lá onde esta sepultado.
Hoje Deus tá orgulhoso
por tê-lo em seu reino.
Agora bem protegido,
sem os perigos por perto,
sente que só depois de ter morrido
é que foi acolhido
agora sim se sente amado.
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