Escritas

Anzóis e rios

Moacir Luís Araldi

Menino de pés descalços,

Que sua voz empresta ao ronco

de seus tratores e caminhões.

De estilingue inseparável,

e arapucas traiçoeiras.

Imitações selvagens quase perfeitas

desagradando pássaros

nos esconderijos nas capoeiras.

Menino de anzóis e rios,

de solidão memoriadas em imagens

em noites tremidas de frio.

A geada da madrugada

em partes que congelava

a vida se enroscava

no clarear de um novo dia.

Pra ser feliz na existência

bastava sol e comida

escola e carinhos só da vida.

Quando pra cidade veio

com a pele quase nua

renda só de latinhas

sentiu que o bicho era mais feio,

cama de papelão na rua

acordava dolorido

inconformado roubou

uma bala o atingiu em cheio

coração partiu ao meio

indigente foi chamado

lá onde esta sepultado.

Hoje Deus tá orgulhoso

por tê-lo em seu reino.

Agora bem protegido,

sem os perigos por perto,

sente que só depois de ter morrido

é que foi acolhido

agora sim se sente amado.

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