Escritas

DOR DO OUTONO

Samuel da Mata

O outono chega, vão-se as folhas, róseas ou amarelas

Uma melancolia profunda invade a alma da floresta

A luz entre troncos desnudos, expõe-lhe as mazelas

Glamour vazio, efêmeras folhas, nada mais lhe resta


Murcham, desapegam e caem, entregam-se ao vento

Pouco importa a sorte da árvore que lhes deu provento

Sucumbem só da expectativa de ter enfrentar o frio

Sugaram o que puderam, mas seu cerne inda é vazio


Prefira os galhos às folhas, oh árvores sofridas

Estes não te abandonam quando for dura a vida

No separar da foice, choram seivas de verdade

E no arder do fogo, gritos sinceros de saudade