A brincar e a criticar
jomadosado
Tinha amigos aos milhares
Até que minha pobreza chegou
Agora nos seus gestos e olhares
vejo do que a pobreza me livrou
Não as querendo criticar
Nunca as mulheres me assediaram
Mas depois de um dia casar
Nem da minha porta se afastavam
Até chegar a infeliz separação
que caiu na vida com pesar
não sei se foi essa a razão
de nunca mais nenhuma avistar
Restava-me meu trabalho ideal
Que me dava longas horas de azia
O que ganhava, era tão pouco, irreal
Quando as faturas a pagar, conferia
Mas não conseguia aprender a roubar
Embora visse os mestres em ação
Que na televisão e governo, ao falar
Roubavam-me até a minha visão
Fui para pedinte, carros arrumar
Mas a concorrência era brutal
Até a um deles tive de pagar
para não me por em tribunal
Fui acusado de o caluniar
Ao chamar-lhe de malandro
Ainda tive de advogado pagar
E com pulseira eletrónica ando
Não posso dele me aproximar
Por causa duma injunção cautelar
Raio de filho que me havia de nascer
Que até do Pai goza, a bel-prazer
Quase que conseguia de tudo chorar
Se não tivesse de meus olhos hipotecar
Para pagar a minha pequena cirurgia
Depois de ver as contas de oftalmologia
É que nem cego por cá se pode ser
Muito menos deficiente aqui nascer
Pois para dinheiro eu conseguir arranjar
Tenho de cegamente em linha reta andar
e caso deficiente, ter de a Universidade completar
Mas se numa bola um chute ao acaso acertar
Sou um português que o estado irá ajudar
Mas sou apenas deficiente com medalhas a nadar
Dizem; vais a nado que tens bom “corpinho” para pagar
A de cima era da frustração a falar
Por ver por ai, tanto herói exemplar
E ver sempre os mesmos a ganhar
O que para todos devia chegar
Desculpem por me enervar
E por tanto me alongar…
Por favor não me façam disto pagar
Que não tenho mais nada para empenhar!
Até que minha pobreza chegou
Agora nos seus gestos e olhares
vejo do que a pobreza me livrou
Não as querendo criticar
Nunca as mulheres me assediaram
Mas depois de um dia casar
Nem da minha porta se afastavam
Até chegar a infeliz separação
que caiu na vida com pesar
não sei se foi essa a razão
de nunca mais nenhuma avistar
Restava-me meu trabalho ideal
Que me dava longas horas de azia
O que ganhava, era tão pouco, irreal
Quando as faturas a pagar, conferia
Mas não conseguia aprender a roubar
Embora visse os mestres em ação
Que na televisão e governo, ao falar
Roubavam-me até a minha visão
Fui para pedinte, carros arrumar
Mas a concorrência era brutal
Até a um deles tive de pagar
para não me por em tribunal
Fui acusado de o caluniar
Ao chamar-lhe de malandro
Ainda tive de advogado pagar
E com pulseira eletrónica ando
Não posso dele me aproximar
Por causa duma injunção cautelar
Raio de filho que me havia de nascer
Que até do Pai goza, a bel-prazer
Quase que conseguia de tudo chorar
Se não tivesse de meus olhos hipotecar
Para pagar a minha pequena cirurgia
Depois de ver as contas de oftalmologia
É que nem cego por cá se pode ser
Muito menos deficiente aqui nascer
Pois para dinheiro eu conseguir arranjar
Tenho de cegamente em linha reta andar
e caso deficiente, ter de a Universidade completar
Mas se numa bola um chute ao acaso acertar
Sou um português que o estado irá ajudar
Mas sou apenas deficiente com medalhas a nadar
Dizem; vais a nado que tens bom “corpinho” para pagar
A de cima era da frustração a falar
Por ver por ai, tanto herói exemplar
E ver sempre os mesmos a ganhar
O que para todos devia chegar
Desculpem por me enervar
E por tanto me alongar…
Por favor não me façam disto pagar
Que não tenho mais nada para empenhar!
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