Escritas

Outono

Maria Giesta

Outono


Desalinhada, cai a folha amarela

prisioneira da gravidade

ciranda no vento

espremido no calor

de um dia cego de sonho

apertado no sumo da ventania

presa no amarelo poeirento das formas.

O Outono encerra-se na flor

de uma mão convulsa

inventada na embriaguez de uma jarra

cavada na sombra da janela

e na disciplina da rotação da terra,

sangrada em glóbulos

agonizados no bafo da garganta

bordada de espadas e sinos.

Nós de rosário de deuses avessos

tecem raios e rosas surdos

cegando os dedos sobre as têmporas.

Maria Giesta

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