Escritas

Verde Malva

Maria Giesta
O verde das folhas súbito
alucina a Primavera 
e os rumores das flores 
não acordam os corvos
desatentos ao ruborizar das rosas 
tentam abrir sorrisos carnudos
nas sílabas da canção.

A esperança inspira o verde malva
à beira da floração do riso
esculpindo no rosto amargo
e à tona do corpo cicatrizado
florestas de luas brancas
adormecidas no chão de camélias em polpa
despertam os dedos fervilhantes de angústia.
  O dia abre-se na estação ébria
no canteiro de pedras pousadas pelo suor
desabrocha o mel ensonado, 
selado na arte da vida dançante 
e entre jorros de verde, o mistério
ergue-se na costura das costas lavradas
de intempéries e efemérides sísmicas.
Maria Giesta
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