Azul
Búzios na barra azul da areia
guardam música do céu em silêncio,
escutam a maresia que espreita
o quarteto das estações,
no intimo pedaço de fundo.
A onda embalada na nuvem auroreal chumbo,
venda o raio dourado do astro
espelhado no chá bebido na penumbra
da sala verde floral, prenhe de umbrais
vigilantes de névoas e de rugas acesas.
Comigo o deserto nas mãos
pousa devagar nos joelhos e
em olhar azul, avisto a barca das magnólias
trazendo perfume de memórias
lugar onde o coração se esconde
como as flores em solitude.
O Verão segreda o sossego da infância
traçando cor na harpa do rosto
entrevendo céu e terra em simultâneo
e em emotivo abraço, o coração poente
busca o lusco-fusco no ladrilho dos dias
enquanto as gaivotas anunciam poesia na noite.
Maria Giesta
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