Olhos para Olhar
Luzia Magalhães Cardoso
Teus olhos abertos, marcados, \ envoltos em medo e rancor,
trancados no vão do passado, \ espiam à fresta da dor...
Teus olhos abertos, sangrados, \ receiam agora enxergar
um certo olhar sorridente \ que se arrisca ao teu ponto de olhar.
Teus olhos abertos, nublados, \ não veem que a noite passou,
não veem o sol no horizonte, \ nem que a fonte de teu pranto secou.
Ah, talvez devesses fechar \ estes teus olhos cansados,
rasgar o véu acinzentado, \ drenar todo o amargo do olhar.
Talvez, de olhos fechados, \ não só no ato de amar,
não só à entrega do sono, \ não só ante a luz solar,
tu possas os outros enxergar.
Quem sabe, agindo assim, \ enxergues além de ti.
Quem sabe, de olhos fechados, \ enxergues aquela ternura
dos olhos que querem te olhar.
Luzia M. Cardoso
Obs: Alterei, aqui, a formatação original do poema para que ele possa ser lido na íntegra, por quem acessar o livro. Cada verso está indicado por \.
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