Escritas

TEMPESTADE DE MÁGOA

Antonio Félix

Numa chuva ventosa

Ando numa dolênciaíngreme...

Apreciando a paisagemtenebrosa,

E os relâmpagos quesurgem temo.

 

E num temperamentoineficaz

A chuva geme em umador plangente,

Bate forte no telhadoem paz!

E numa obscuridadepresente...

 

Ah, chuvas passageiras,frias e grossas...!

Soluçando nostelhados,

Chorando ao vento....

Balançando dasárvores os galhos.

 

E neste somcontagiante

Grito num desesperogrande:

─ Parou a chuvadelirante!

─ Parou a chuvaamante!

 

Nesta chuva tãoperfumada

Ouço as gotas, sua grandeza,

Sua forma tão límpidae clara!


E num repúdio tãorejeitado,

Deixo a chuva entãode lado,

Fecho meus olhoslasso

E ponho-me a dormir.

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