A Vida, Do Céu à Terra

O sol, o dia e as águas

Num dia de Janeiro

Juntaram-se e fizeram

O seu pacto primeiro

O jogo fica, embala

E dura, longo até Junho

E em voz estridente soaram,

Gritaram: - É para vós este mundo!

Não sentem dizer:

Estou aqui, era inteiro

Até que vós me magoaram.

É pois, este, o acto III.

A estação, neste mês,

Esconde o frio, é um escudo

Como negra viuvez

Tal inverno sisudo

A chuva, então, a cantar

Cai na terra e ajuda a videira

A sua uva nascer, a brotar

Diz, já fruto, à sua parteira:

-Tão boa, tão fresca tu és

Nesta vida já vivo e bem fundo

P’ra beber só tenho a raiz

P’ra viver tu és água, és tudo.

A madrinha esconde a sorrir

A modéstia que é vez primeira.

Não a vemos pois está a fugir

Tal a chuva na tarde soalheira.

Vai embora, não diz quando vem

E as flores aguardam, contando

Às roseiras, avós de sua mãe

As histórias que haviam escutado.

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