🌸 O Encontro com a Magnólia 🌸
Numa tarde sem pretensão — dessas em que a gente não espera nada, mas a vida oferece tudo — , saí à procura de mim mesma. Fui caminhar.
Enquanto eu andava, o céu já se tingia de laranja. Aquela luz macia, quase mel, tocou meu rosto e, sem que eu soubesse o porquê, arrancou-me um sorriso. A brisa calma acariciava minha pele como quem pede licença.
Foi então que, ao dobrar uma rua qualquer, a vi.
Uma flor.
Linda. Tão grande que me tirou o fôlego. Meus olhos se arregalaram sozinhos. O peito apertou de uma forma estranha — e, naquele instante, entendi: eu havia me apaixonado. Por uma flor.
Ajoelhei-me e recolhi algumas pétalas caídas. Levei-as ao nariz e aspirei seu perfume como quem quer extrair dali toda a alma. Levei-as para casa. Cuidei delas como quem guarda um segredo. Até que, um dia, murcharam.
E foi nesse murchar que aprendi: as coisas não duram. Mas o tempo que permanece — esse, sim, merece ser inteiro.
Passei a viver assim: aproveitando enquanto faço o que gosto, enquanto estou com quem me entende, enquanto rio, enquanto leio um livro que me abraça por dentro.
Tempos depois, descobri o nome daquela flor: Magnólia.
E como a língua chinesa vive em mim como uma segunda pele, fui procurar seu nome em mandarim. Descobri, então: Mùlán (木兰花).
Foi como uma bomba silenciosa. Tudo fez sentido.
Mulan. O filme da minha infância. A força. A grandeza. A protagonista que nunca se curvou.
Sempre gostei de ser forte, corajosa, grandiosa. Mas sinto que ainda preciso aprender com a flor aquilo que ela tem e que eu ainda busco: a arte de ser delicada, serena e gentil.