DESERTO

(Coletânea "SEMENTE LITRÁRIA" - 2026)


DESERTO

Entreguei as minhas guardas,
As minhas mãos, os meus dedos,
Trémulos de frio e medos,
Às horas das madrugadas.

Agora, olho para o tempo
vago na sua viagem,
Fazendo a sua passagem
Num rasto de desalento.

E não há qualquer ternura,
Nem as rosas perfumadas
viveram, foram cortadas
Por qualquer alma impura,

Fazendo o caminho perto,
Alcancei flores no oásis
Num fio de horas fugazes
Transformado num deserto.

José António de Carvalho, 25-junho-2025

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