O COITADO
Eu, coitado, já não sei mais nada,
Uns se dizem bons,
Mesmo assim não fazem nada,
Pintam em vários tons.
Deus me proteja dessa cambada!
Quem é mau nessa joça?
Eles não aparecem,
Vestem belas máscaras,
Nos fazem troça.
E nós aqui embaixo,
Passando o Diabo,
Comendo a massa amassada
Com o seu azedo rabo.
Sofro eu e sofre você,
Sofre também aquele ali,
Que em troca de migalhas,
Defende o mau de ti.
Sou eu e mais ninguém,
Que por mim trabalha,
Se eu quero ficar bem,
Vem alguém e me atrapalha.
Mas vamos em frente,
Um pouco de lado,
Sim, estou consciente,
Que meu sonho é esculhambado.
Daqui eu solto um grito,
Ele jamais será ouvido,
Mesmo que muito aflito,
Há tempos já fui esquecido.
Comentários (2)
Obrigado!!
Parabéns... pela bela valorização em versos do coitado.... e felicidades pelo premio de ser o escolhido na antologia Br. ademir.