A anatomia da ratoeira
Todos eles roem o mesmo queijo e riem absurdamente do outro rato que permanece a olhar de longe seus semelhantes encherem suas barrigas. E assim seguiu esse ciclo por aproximadamente sete dias.
O rato que se recusa a aventurar-se em saciar sua fome estava completamente desnutrido e fraco, enquanto os outros se vangloriavam por suas refeições e corpos saudáveis. Ao nono dia, a rotina, que já era bem comum, mudou drasticamente após os ratos comerem o queijo, que, por sua vez, já não era mais o mesmo, pois havia sido envenenado.
O rato que não se dispôs a comer viu seus semelhantes falecerem quase no mesmo período. Embora sozinho e sem incentivo de qualquer outro rato, arriscou-se a comer um pequeno pedaço que estava em cima da ratoeira. Ela veio a disparar e, por fim, o último rato chegou ao seu trágico — ou, para alguns, magnífico — fim.
Seja o queijo envenenado:
Não proporcione vantagens para aqueles que apenas querem o que você pode fornecer.
Sejam os ratos:
Desfrute das oportunidades; elas são únicas.
Seja o rato:
Não se deixe ser levado ao abismo para satisfazer suas vontades.
Seja a ratoeira:
Habilidosamente calma, ágil e encerrando as suas pragas.
Não seja o queijo envenenado:
Não forneça ruínas.
Não sejam os ratos:
Não divida seu queijo.
Não seja o rato:
Não tenha preguiça de buscar nutrição melhor do que a que é capaz de ver.
Não seja a ratoeira:
Não crie armadilhas; fique longe delas.
Por ; Ícaro Italo Gomes dos Santos
Pseudônimo de italo_poetrix
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