O TEMPO DEVASSO
Ah, o tempo devasso e sacana!
Que faz e desfaz de mim,
Transforma a minha vida
Em coisa ruim.
O tempo que corre. De mim.
Vai longe, eu fico para trás,
Levando tombos em solo irregular,
Pisando o chão que só faz queimar.
O tempo, que cheio de vontades,
Não me faz nada, fico a míngua,
Numa beira de estrada qualquer,
De barriga vazia e coração sedento.
Vai, tempo, que não volta jamais,
Me faz de tolo pela vida,
Mata-me aos poucos,
Porque morto eu já vivo!
Tempo vadio e mau,
Tem em si o que não quero,
Traz de volta o que já tive,
Se é que tive algo um dia.
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