Sucinto
Deveria abafar o ar agora,
criar com lâminas a última arte:
riscos fixados aqui, no agora, eternamente…
estou cansado.
Cresce o desespero da inquietude;
assim fenecerás em mim, o meu eu.
Em uma cor, a dor dos teus e dos meus
e te despedes.
Com sangue novo e mãos paradas,
sem conter, concedes;
e não mais envelhecerei…
Aqui reside, tão tola, a sabedoria
de parar o tempo.
E no processo o progresso da loucura
da velhice e da decrepitude não me alcançarás.
Importa que o tempo cesse?
Só parar a dor,
em vez de costurá-la
com os remendos da espera…
E dos três tempos, em um só mundo,
me despediria.
Duros, amorfos e rudes.
Cujo presente abundante esculpiu
deverás, como símbolo da solidão,
produzir para não fenecer.
E os ponteiros que arranham
e passam no relógio
tais silêncios, gritos.
Há noite medonha:
por que vem naufragar o dia?
E tal violenta ideia
a violeta esmaecida?
Já são tantas vozes
e rostos sem um beijo seu.
E as lembranças minguam seu viço no tempo,
o calor com sua sombra de verão
atada em feixes de raios solares…
E nada detém a foice do tempo,
o fardo do tardio.
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