Escritas

Parnassus

Charlanes Olivera Santos

A vida é uma peça encenada no tempo,

e ela passe devagar para que eu possa escrever um verso.

Parnassus o portal da cidade dos poetas... onde esconde o sol de Apolo... estive lá por um tempo no congresso do Druidas...

E no reverso do amor, entre arcanos e brumas, nasceu o poeta ferido de beleza e palavra da lua do ar lua tão rara era meu destino e meu fim...

Havia um verso estendido,

abraçando o céu como quem não teme a queda,

e em ti vejo a essência do tempo

esse rio invisível que tudo leva e tudo marca.

Sinto meus dias expiarem-se em silêncio,

na beleza que viceja em ti,

flor tardia que insiste em nascer

mesmo no inverno da alma.

Queria prolongar o coração,

esticá-lo como quem segura a tarde,

pois depressa vem o meu fenecer,

e o corpo sabe o que a esperança tenta negar.

Enumerar infinitamente todos os meus dons

seria pouco;

selaria cada palavra com teus beijos,

como se o amor fosse a única assinatura legítima.

E nesses papéis amarelados,

leio o que escrevi há tanto tempo:

o meu amor é o mesmo,

intacto, apesar das ruínas.

Meus desprezos, educados pela dor,

poriam fim à ira deste poeta

sem ponto final,

pois enquanto houver verso,

a vida ainda insiste em continuar.