Parnassus
A vida é uma peça encenada no tempo,
e ela passe devagar para que eu possa escrever um verso.
Parnassus o portal da cidade dos poetas... onde esconde o sol de Apolo... estive lá por um tempo no congresso do Druidas...
E no reverso do amor, entre arcanos e brumas, nasceu o poeta ferido de beleza e palavra da lua do ar lua tão rara era meu destino e meu fim...
Havia um verso estendido,
abraçando o céu como quem não teme a queda,
e em ti vejo a essência do tempo
esse rio invisível que tudo leva e tudo marca.
Sinto meus dias expiarem-se em silêncio,
na beleza que viceja em ti,
flor tardia que insiste em nascer
mesmo no inverno da alma.
Queria prolongar o coração,
esticá-lo como quem segura a tarde,
pois depressa vem o meu fenecer,
e o corpo sabe o que a esperança tenta negar.
Enumerar infinitamente todos os meus dons
seria pouco;
selaria cada palavra com teus beijos,
como se o amor fosse a única assinatura legítima.
E nesses papéis amarelados,
leio o que escrevi há tanto tempo:
o meu amor é o mesmo,
intacto, apesar das ruínas.
Meus desprezos, educados pela dor,
poriam fim à ira deste poeta
sem ponto final,
pois enquanto houver verso,
a vida ainda insiste em continuar.
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