Cronos e caos
O hoje conseguiria rasgar-me aqui
como um mau ator no palco,
a pele ressecada gritando
e todos embriagados, sem prestar atenção.
Sem uma libra na madeira do palco…
dizer uma palavra de hoje
e ninguém saber o seu significado.
Temer o próprio papel:
apropria-se a fera,
tomada pelo excesso do tempo.
A sublime cerimônia do enlace amoroso
do meu eu só.
Em cada salto, o poder parece decair,
sem poder fugir de mim;
meu rosto verte no espelho,
a dor conhece os presságios surdos
do meu peito arfante.
Nada muda.
Ansiavam o caminho
e procuram a recompensa da língua
que tanto expressou o erro das palavras
no desejo seu.
O amor, em silêncio, escreve no escuro;
os olhos brindam e pintam-te,
e tua face lança-se no abismo comigo.
Morde-me o peito tão fundo
que consome até o ar.
E o ser que verteres do teu alento,
se não isto, eu o prenunciaria.
A fórmula da tua beleza
na tela dos meus olhos
a moldura contida,
tua imagem retratada em todo o meu espaço,
pendurada nas janelas lustradas: você.
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