Na curva do infinito
O tempo escorre lento entre meus dedos
feito mel antigo ferindo a manhã
teu nome arde nas paredes do peito
sou casa vazia chamando teu vão
Caminhas na noite com passos de lua
e o mundo silencia pra te ouvir passar
meus dias se inclinam, cansados, em prece
pedindo teu riso pra não naufragar
Se tudo é instante
deixa-me ficar
no segundo exato
em que teus olhos me chamam de lar
Na curva da eternidade eu te espero
onde o fim já não sabe começar
teu corpo é o verso que o tempo respeita
meu destino aprendeu a te amar
Se o céu desabar sobre os dias cansados
serei chão, serei chama, serei paz
na curva da eternidade, amor
somos dois — e isso basta demais
Há poeira de estrelas nos teus cabelos
e um outono doce na tua voz
teu beijo é maré que apaga meus medos
me ensina a morrer só um pouco em nós
Carrego silêncios que só tu decifras
como quem lê salmos na pele nua
meu coração, cansado de guerra,
depõe as armas quando és tu quem atua
Se o mundo sangrar
não vou fugir
teu nome é o verbo
que me faz existir
Na curva da eternidade eu te espero
onde o tempo se esquece de correr
teu amor é o erro mais certo
que escolhi repetir sem temer
Se a noite cair sobre os olhos do dia
serei luz que não pede razão
na curva da eternidade, amor
te entrego meu fim e ressurreição
E se eu fenecer antes do amanhã
guarda em ti meu último som
fui teu verso mais imperfeito
mas te amei em cada tom
Na curva da eternidade eu te espero
sem relógio, sem medo, sem véu
se amar é cair no infinito
que eu caia contigo céu
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